PENITÊNCIA

E agora, pensamos nós, temos que colocar cinzas sobre a cabeça, vestir-nos de saco, e mostrar a toda a gente como estamos arrependidos e fazemos penitência.

Não, não precisa ser assim, e a penitência não é para “mostrar”, é para viver no nosso íntimo.

Hoje em dia, diz-se muitas vezes que Deus não quer o nosso sacrifício, que não quer que nós soframos, e isso é, obviamente, verdade.

Mas não deve constituir desculpa para não nos colocarmos perante as nossa faltas, delas pedirmos perdão e nos penitenciarmos por causa das mesmas.

E esta penitência que, mais do que devemos, precisamos fazer, é procurar em nós aquilo que, neste tempo de Quaresma, podemos prescindir com algum sacrifício, seja materialmente, seja socialmente, seja, sobretudo, espiritualmente.

Materialmente, prescindirmos de alguns prazeres rotineiros diários, (o café, o bolo, o doce, etc.), e oferecermos o que, por causa disso, poupamos aos que mais necessitam.

Socialmente, termos mais atenção aos outros, sobretudo àqueles com quem não conseguimos ter uma relação mais empática e, revestindo-nos de paciência, os ouvirmos e tentarmos compreender.

Espiritualmente, fazer um compromisso connosco próprios, para lermos e meditarmos diariamente a Palavra de Deus, para O procurarmos no sacrário sempre que nos for possível, rezarmos mais e melhor, ou seja, não de forma rotineira, mas como um verdadeiro diálogo com Deus que se dá a conhecer àqueles que O procuram «em espírito e verdade».

E depois, obviamente, o Sacramento da Confissão, plenamente celebrado, isto é, com um bom exame de consciência, a confissão de todos os pecados, um verdadeiro arrependimento, e um firme propósito de emenda. 

Seguros da Sua infinita misericórdia, viveremos uma penitência na Quaresma, que Ele recebe cheio de amor.

Joaquim Mexia Alves

Patrício Oliveira

Padre desde 2011, ao serviço da Paróquia da Marinha desde como Pároco desde 2019.

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