Maio 2026 - Por uma alimentação para todos
O Papa Leão XIV propõe, para o mês de maio, a intenção de oração ‘Por uma alimentação para todos’, alertando para a injustiça de um mundo onde a fome convive com o desperdício. Convida a reconhecer os bens da terra como um dom de Deus destinado a todos e a transformar a oração em gestos concretos de partilha e solidariedade. A intenção de oração para maio é divulgada através da campanha Reza com o Papa. + info
Senhor da criação,
deste-nos a terra fecunda
e, com ela, o nosso pão de cada dia,
como sinal do teu amor e da tua providência.
Hoje reconhecemos com dor
que milhões de irmãos e irmãs
continuam a passar fome,
enquanto tantos alimentos
se desperdiçam nas nossas mesas.
Desperta em nós uma nova consciência:
que aprendamos a agradecer cada alimento,
a consumir com simplicidade,
a partilhar com alegria
e a cuidar dos frutos da terra como dom teu,
destinado a todos, não apenas a alguns.
Pai bom,
torna-nos capazes
de transformar a lógica do consumo egoísta
numa cultura de solidariedade.
Que as nossas comunidades promovam
gestos concretos:
campanhas de sensibilização, bancos alimentares
e um estilo de vida sóbrio e responsável.
Tu que nos enviaste o teu amado Filho Jesus,
pão partido para a vida do mundo,
dá-nos um coração novo,
com fome de justiça e sede de fraternidade.
Que ninguém fique excluído da mesa comum
e que o teu Espírito nos ensine a olhar o pão
não como um objeto de consumo,
mas como sinal de comunhão e de cuidado.
Ámen.
Meditação
Este mês somos convidados a rezar para que todos, desde os grandes produtores até aos pequenos consumidores, se comprometam a evitar o desperdício de alimentos e para que todos tenham acesso a uma alimentação de qualidade.
Mais de 750 milhões de pessoas não têm acesso a alimentos suficientes para levar uma vida saudável e cerca de 260 milhões enfrentam uma situação de emergência alimentar. As principais causas desta situação, que afeta gravemente a humanidade, são as alterações climáticas, os conflitos armados, os modelos económicos injustos e o desperdício alimentar escandaloso. Todos nós, em diferentes níveis, devemos envolver-nos: rezar e compreender melhor esta dura realidade, despertar em nós uma genuína consciência da forma como podemos dar o nosso contributo a partir dos nossos contextos e mobilizar-nos para que outros se unam a este desafio.
Esta intenção de oração constitui uma excelente oportunidade para, em colaboração com pessoas e grupos de outras confissões religiosas ou comunidades com um propósito humanitário, procurar soluções práticas, como a criação de bancos alimentares locais ou a promoção de campanhas de sensibilização.
Devemos passar do consumo ao cuidado. O primeiro passo para que todos tenham alimento é mudar o coração. Passar da lógica do consumo egoísta para a cultura do cuidado e da solidariedade. Cada gesto conta: escolher com consciência, partilhar com alegria, agradecer com simplicidade. O mundo muda quando mudamos a forma como olhamos para o pão (cfr. Passo 3, 'O Caminho do Coração – Humanizar os nossos hábitos. Humanizar os ambientes').
Todos nós, como cristãos, somos chamados a comprometer-nos ativamente no combate à fome, que exige que se ultrapasse a lógica do descarte e do consumo desmedido.
Atitudes
Valorizar o que comemos
Recupera o sentido do alimento como dom. Abençoa os alimentos antes das refeições e agradece a quem os produziu e cozinhou.
Evitar o desperdício de alimentos
Planeia as compras, considera as porções, reutiliza as sobras.
Escolher produtos com consciência
Opta por alimentos produzidos com respeito pelo ambiente e pelo trabalho digno.
Partilhar com quem tem menos
Doa alimentos, prepara uma refeição, convida alguém em necessidade a fazer uma refeição contigo.
Educar crianças e jovens para a cultura do cuidado
Ensina-lhes que a comida não se deita fora, que muitos não têm o suficiente e que partilhar é um ato de justiça.
Abril 2026 - Pelos sacerdotes em crise
Rezemos pelos sacerdotes que atravessam momentos de crise na sua vocação, para que encontrem o acompanhamento necessário e para que as comunidades os apoiem com compreensão e oração.
Oração
Senhor Jesus,
Bom Pastor e companheiro de caminhada,
hoje colocamos nas tuas mãos todos os sacerdotes,
especialmente os que atravessam
momentos de crise,
quando a solidão pesa, as dúvidas obscurecem
e o cansaço parece mais forte do que a esperança.
Tu que conheces as suas lutas e feridas,
renova neles a certeza do teu amor incondicional.
Faz-lhes sentir que não são funcionários
nem heróis solitários,
mas filhos amados,
discípulos humildes e estimados,
e pastores amparados pela oração do teu povo.
Pai bom,
ensina-nos, como comunidade,
a cuidar dos nossos presbíteros:
a escutá-los sem julgar,
a agradecer sem exigir perfeição,
a partilhar com eles a missão batismal
de anunciar o Reino com gestos e palavras,
e a acompanhá-los com proximidade
e oração sincera.
Que saibamos amparar
aqueles que tantas vezes nos amparam.
Espírito Santo,
reacende nos nossos sacerdotes
a alegria do Evangelho.
Concede-lhes amizades sãs,
redes de apoio fraterno,
sentido de humor quando as coisas
não correm como esperavam,
e a graça de redescobrir sempre
a beleza da sua vocação.
Que nunca percam a confiança em ti,
nem a alegria de servir a tua Igreja
com um coração humilde e generoso.
Ámen.
Reflexão
Este mês rezemos pelos sacerdotes que atravessam momentos de crise na sua vocação, para que encontrem o acompanhamento necessário e para que as comunidades os apoiem com compreensão e oração.
Como qualquer vocação cristã, o presbiterado é um chamamento que não termina com uma resposta inicial, mas implica um caminho de renovação permanente.
Os sacerdotes, tal como todos os outros membros do povo de Deus, enfrentam frequentemente sentimentos de solidão, hesitação, cansaço e confusão. Não apenas devido às suas próprias falhas, mas também porque muitos exercem o seu ministério em contextos adversos, nos quais se espera muito deles, mas nem sempre se lhes oferece o apoio e o acompanhamento necessários para amparar a sua vocação. Uma Igreja sinodal é também uma igreja que cuida e apoia a vocação dos sacerdotes, ajudando-os a serem melhores pastores, melhores irmãos, melhores pessoas.
O sacerdócio é um caminho vocacional elegido depois de um processo longo de discernimento na busca da vontade de Deus por parte de pessoas reais, com histórias concretas. Contudo, as crises fazem parte de todo o caminho vocacional e estados de vida – matrimónio, vida consagrada, sacerdócio, etc... Por isso, um sacerdote em crise precisa de acolhimento, não de exigência; de acompanhamento, não de abandono. A comunidade que reza pelos seus pastores ajuda-os a redescobrir a sua vocação como um dom, com o apoio de Deus e do seu povo (cfr. O Caminho do Coração, Passo 4 – «Ir ao encontro do outro»).
Como cristãos, somos convidados a amparar fraternalmente aqueles que nos sustêm, aqueles que nos lideram na fé e no nosso compromisso de seguimento de Jesus na sua Igreja e no mundo. Como dizia o Papa Francisco, «nós, os sacerdotes, não fomos feitos para caminhar sozinhos... é essencial que se sintam “em casa”, integrados numa rede de relações fraternas».
Atitudes
Rezar todos os dias pelos sacerdotes
Escolhe em cada semana um sacerdote, com nome e rosto, e reza por ele.
Escutar com compaixão
Se um sacerdote partilhar o seu cansaço ou as suas lutas, escuta-o com
empatia e sem julgar.
Evitar a crítica destrutiva
Transforma a crítica em oração. Não sabes que lutas interiores ele pode estar a viver.
Estar próximo, como comunidade
Uma mensagem, uma visita ou uma refeição partilhada podem ser um gesto que reanima.
Valorizar a sua humanidade
Não exijas perfeição. Os sacerdotes também precisam de compreensão, tempo e ternura.