Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos - 2026
18 a 25 de Janeiro inspira-se na carta aos Efésios
A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2026 decorre entre 18 e 25 de janeiro e tem como tema um versículo da carta de São Paulo aos Efésios, convidando os cristãos a aprofundar a comunhão em Cristo a partir de uma herança de fé partilhada.
«Há um só corpo e um só Espírito, assim como fostes chamados a uma só esperança – a da vossa vocação» (Efésios 4,4) serve de mote à iniciativa ecuménica deste ano, cujo guião sublinha que a unidade não é apenas um ideal, mas um mandato divino colocado no centro da identidade cristã.
Os materiais de oração e reflexão foram preparados pela Igreja Apostólica Arménia, em colaboração com fiéis das Igrejas Católica e Evangélica locais. O trabalho conjunto decorreu na Santa Sé de Etchmiadzin, sede espiritual e administrativa da Igreja Apostólica Arménia, nos dias 28 e 29 de setembro de 2024, durante a bênção do Muron, o óleo sagrado, e a consagração da catedral, após um longo processo de restauro.
De acordo com o subsídio do Oitavário, as cartas de São Paulo destacam a importância da unidade no interior da Igreja e exortam os cristãos a viverem a sua vocação com humildade, mansidão, paciência e amor. A reflexão recorda ainda que a diversidade de dons é apresentada pelo apóstolo como uma riqueza que edifica o Corpo de Cristo, desde que vivida em relações harmoniosas e num mesmo compromisso com Cristo.
O guião percorre também a Sagrada Escritura para mostrar que o chamamento de Deus à unidade atravessa toda a Bíblia, desde o Antigo Testamento até ao Novo Testamento, onde Jesus Cristo confere à unidade uma dimensão espiritual mais profunda. A unidade entre os seus seguidores, refere o texto, não se reduz à ausência de conflito, mas constitui um vínculo espiritual que reflete a unidade da Santíssima Trindade.
Os materiais agora publicados inspiram-se em tradições seculares de oração do povo arménio e em hinos provenientes de antigos mosteiros e igrejas da Arménia, alguns dos quais remontam ao século quarto. O objetivo é valorizar esse património comum e incentivar os cristãos de diferentes confissões a aprofundar a comunhão que os une em Cristo.
Entre as propostas incluídas encontra-se um culto ecuménico intitulado «Luz da Luz para a Luz», adaptado de uma das horas diárias de oração da Igreja Arménia. O subsídio da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2026 está disponível no sítio da internet do Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos da Santa Sé.
A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos integra o esforço ecuménico das Igrejas cristãs para promover a reconciliação e a unidade, após séculos marcados por divisões históricas. A iniciativa começou a ser celebrada em 1908, por proposta de Paul Wattson, então presbítero anglicano, e mantém-se como um dos momentos mais significativos do diálogo e da oração comum entre cristãos de diferentes confissões.
TEXTO BÍBLICO PARA 2026
Efésios 4,1-13
Eu, o prisioneiro no Senhor, exorto-vos, pois, a que procedais de um modo digno do chamamento que recebestes; com toda a humildade e mansidão, com paciência: suportando-vos uns aos outros no amor, esforçando-vos por manter a unidade do Espírito, mediante o vínculo da paz. Há um só Corpo e um só Espírito, assim como a vossa vocação vos chamou a uma só esperança;
um só Senhor, uma só fé,
um só baptismo;
um só Deus e Pai de todos,
que reina sobre todos,
age por todos e permanece em todos.
Mas, a cada um de nós foi dada a graça, segundo a medida do dom de Cristo. Por isso se diz:
Ao subir às alturas,
levou cativos em cativeiro,
deu dádivas aos homens.
Ora, este «subiu» que quer dizer, senão que também desceu às regiões inferiores da terra? Aquele que desceu é precisamente o mesmo que subiu muito acima de todos os céus, a fim de encher o universo. E foi Ele que a alguns constituiu como Apóstolos, Profetas, Evangelistas, Pastores e Mestres, em ordem a preparar os santos para uma actividade de serviço, para a construção do Corpo de Cristo, até que cheguemos todos à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, ao homem adulto, à medida completa da plenitude de Cristo.
Introdução ao tema do ano 2026
(Texto publicado pelo Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos da Santa Sé)
“Um só é o corpo e um só é o Espírito, como uma é a esperança a que fostes chamados” (Efésios 4,4)
Para este ano, as orações e reflexões da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos foram preparadas pelos fiéis da Igreja Apostólica Arménia, em conjunto com os seus irmãos e irmãs das Igrejas arménias católica e evangélica. Estes recursos foram desenvolvidos, redigidos e aprofundados na histórica sede espiritual e administrativa da Igreja Apostólica Arménia, a Santa Sé de Echmiadzin, na Arménia, durante os dias edificantes da bênção do Myron, o óleo santo, e da renovação da consagração da Catedral-Mãe, nos dias 28 e 29 de setembro de 2024, após intensos trabalhos de restauro levados a cabo ao longo de dez anos. Esta comemoração proporcionou ao povo da Arménia e aos membros do grupo de redação uma oportunidade única para refletir e celebrar a fé cristã comum que continua viva e fecunda ainda hoje nas nossas Igrejas. Estes recursos baseiam-se em tradições seculares de oração e súplica utilizadas pelo povo arménio, juntamente com hinos que tiveram origem nos antigos mosteiros e igrejas da Arménia, alguns dos quais remontam ao século quarto. A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos de 2026 convida a recorrer a este património cristão comum e a aprofundar a nossa comunhão em Cristo, que une cristãos de todo o mundo.
A unidade, mais do que um simples ideal, é um mandato divino que se encontra no centro da nossa identidade cristã. Representa a essência do chamamento da Igreja a refletir a unidade harmoniosa da nossa vida em Cristo na diversidade. Esta unidade divina é fundamental para a nossa missão e é sustentada pelo amor profundo de Jesus Cristo, que nos destinou a um mesmo fim. Como afirma o apóstolo Paulo na sua carta aos Efésios: «Um só é o corpo e um só é o Espírito, como uma é a esperança a que fostes chamados» (4,4). Este versículo bíblico, escolhido para este ano, encerra a profundidade teológica da unidade dos cristãos.
Ao longo das Sagradas Escrituras, o chamamento de Deus à unidade ressoa desde os tempos mais antigos. Começando pelo Antigo Testamento, a súplica de Abrão a Lot evidencia o desejo divino de paz e harmonia entre os crentes: «Não haja discórdia entre mim e ti, nem entre os meus pastores e os teus pastores, porque somos irmãos» (Génesis 13,8). O apelo de Abrão à harmonia e ao respeito mútuo, apesar da separação final, sublinha a importância de viver em paz. Esta instrução divina prossegue no livro do Levítico, quando Deus ordena: «Não guardarás rancor nem te vingarás dos filhos do teu povo, mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor» (19,18). Estas prescrições recordam-nos que o perdão e o amor são vitais para manter a unidade no seio da comunidade de fé.
Os Salmos celebram a beleza da unidade entre o povo de Deus, proclamando: «Como é bom e agradável que os irmãos vivam unidos» (Salmo 133,1). Esta imagem sublinha a importância da unidade no desígnio de Deus para o seu povo. O livro dos Provérbios, por sua vez, adverte contra a discórdia no povo de Deus, afirmando que Deus detesta quem semeia a discórdia entre irmãos e irmãs (6,19), e ensina que a paciência e o perdão são essenciais para preservar a harmonia (19,11).
No Novo Testamento, Jesus Cristo eleva o conceito de unidade a uma dimensão espiritual, reflexo da relação profunda entre Ele e o Pai. A unidade entre os seus seguidores não é apenas a ausência de conflitos, mas um vínculo profundo e espiritual que reflete a unidade da Santíssima Trindade. A oração de Jesus, no Evangelho segundo João, pede que os crentes sejam um, como o Pai e Ele são um, mostrando que a nossa unidade se fundamenta na nossa relação com Cristo e na missão comum de anunciar a Boa Nova (17,21). O mandamento fundamental de Jesus de nos amarmos uns aos outros como Ele nos amou (João 13,34-35) reforça que este amor é a essência da nossa unidade. Este amor sacrificial e desinteressado é simultaneamente o vínculo da nossa comunidade e o testemunho primordial do nosso seguimento. A oração de Jesus ao Pai, pedindo que a nossa unidade seja um testemunho para o mundo (João 17,23), torna-se um testamento que prolonga a sua missão divina.
Os Apóstolos retomam este tema nos seus ensinamentos. As cartas de Paulo sublinham a importância da unidade na Igreja, exortando-nos a viver de modo digno da nossa vocação, com humildade, mansidão, paciência e amor (Efésios 4,1-3). A visão de Paulo sobre a unidade, expressa na Carta aos Romanos, mostra a diversidade de dons que edificam o corpo de Cristo (12,6). Entre eles devem existir relações harmoniosas, como se lê na Segunda Carta aos Coríntios (13,11) e na Carta aos Filipenses (2,1-2), o que implica ter um só pensamento e um só espírito em Cristo, reforçando assim o mandato divino da unidade e o reconhecimento da diversidade.
Em Efésios 4,4, Paulo sintetiza o seu ensinamento sobre a unidade, sublinhando que os seguidores de Cristo constituem «um só corpo e um só Espírito», unidos numa única esperança. Esta metáfora apresenta a Igreja como uma realidade unificada que transcende as barreiras da geografia, da nacionalidade, da etnia e da tradição. Paulo recorre à imagem da Igreja como corpo de Cristo para descrever a sua unidade na diversidade dos seus membros. Escreve aos Coríntios: «Assim como o corpo é um só, embora tenha muitos membros, e todos os membros do corpo, apesar de serem muitos, formam um só corpo, assim também acontece com Cristo» (Primeira Carta aos Coríntios 12,12). Na Carta aos Colossenses, Paulo desenvolve o papel de Cristo como cabeça do único corpo com diversos membros, afirmando: «Ele é a cabeça do corpo, que é a Igreja» (1,18). Deste modo, a Igreja, embora composta por muitas partes, funciona como um todo coeso. Cada membro tem um papel único e contribui para a vida e a missão globais da Igreja. Reconhecer que fazemos parte de um corpo universal em Cristo fomenta a colaboração à escala mundial na difusão do Evangelho e no serviço à humanidade, desviando o foco das divisões internas para a missão comum. Pelo contrário, limitar o grande mandamento do Senhor de ir pelo mundo e fazer discípulos de todas as nações (Evangelho segundo Mateus 28,19) a uma comunidade definida por fronteiras étnicas, geográficas ou socioeconómicas privaria essa comunidade de um dos fundamentos essenciais estabelecidos por Jesus para a Igreja: a unidade dos seus seguidores em todo o mundo.
O conceito de «um só corpo», presente em Efésios 4,4, reflete também a natureza da Igreja. O cristianismo ultrapassa fronteiras culturais e nacionais, unindo crentes de todo o mundo na fé e na esperança. Esta comunhão, tal como é descrita no livro do Apocalipse, onde se apresenta uma multidão de todas as culturas, tribos, povos e línguas (7,9), oferece força e encorajamento aos crentes, reafirmando a sua ligação no corpo de Cristo.
Para sublinhar a importância da unidade dos cristãos, Paulo acrescenta «um só Espírito», referindo-se ao Espírito Santo que sustenta esta comunhão e capacita a Igreja para cumprir a sua missão. O Espírito Santo é a fonte da vida espiritual e o guia dos crentes, assegurando que os diversos membros da Igreja permanecem unidos na mesma fé e no mesmo fim. O Espírito promove uma ligação espiritual profunda entre os crentes, que ultrapassa as diferenças e cria um vínculo que reflete a unidade da Santíssima Trindade. Este vínculo espiritual partilhado é a base da reconciliação, orienta os crentes em todo o mundo e prepara-os para oferecer um testemunho e um serviço eficazes. Esta missão fundamental da Igreja harmoniza a diversidade das expressões de fé.
O ensinamento sobre a unidade da Igreja é ainda aprofundado pelo Apóstolo quando afirma que todos os cristãos são chamados à «única esperança» da salvação e da vida eterna (Efésios 4,4). Esta «única esperança» significa que todos os crentes aspiram ao mesmo fim: a vida eterna com Cristo. Este é o objetivo último e a motivação da vida cristã, que proporciona uma visão e um propósito comuns a todos os crentes e os une no seu caminho de fé e na vida quotidiana. Esta visão partilhada ajuda a ultrapassar divisões confessionais e culturais, encorajando os cristãos a trabalhar juntos em tudo o que lhes é possível. Fazer da «esperança partilhada» o objetivo da nossa vocação como cristãos define a nossa pertença à Igreja em termos de comunhão universal na esperança da salvação e da vida eterna.
Num mundo em que coexistem diversas tradições e expressões de fé, tantas vezes marcadas pela divisão, Efésios 4,4 recorda-nos que todos os crentes fazem parte do «único corpo» de Cristo. Esta unidade não consiste na uniformidade, mas num compromisso de permanecer em comunhão nas verdades essenciais da fé cristã. Um exemplo claro do poder transformador do Espírito é o facto de cristãos de diferentes origens se unirem com autenticidade e sinceridade em torno de um objetivo comum e partilhado.
Através da sua prática e da sua doutrina, a Igreja Apostólica Arménia oferece-nos uma reflexão profunda sobre a essência da unidade no corpo universal de Cristo, não como um simples conceito, mas como uma realidade viva e pulsante. Ao proclamar o Credo, os fiéis afirmam a sua fé na Igreja «una, santa, católica e apostólica», professando assim a centralidade da unidade da fé para a sua vida espiritual. Este compromisso com a unidade encontra a sua expressão máxima nas celebrações eucarísticas da Igreja, onde as orações da comunidade se elevam não apenas pelos cristãos de todo o mundo e pelos seus líderes espirituais, mas também pela unidade da própria Igreja. Todos os domingos, na Liturgia, os fiéis unem-se e cantam: «A Igreja tornou-se uma», manifestação concreta de uma fé comum e de um fim partilhado. A rica história desta Igreja, marcada pelo testemunho de numerosos mártires, revela a sua fortaleza e a sua perseverança na manutenção da fé cristã na terra da Arménia e na região envolvente. Por isso, a unidade da Igreja ultrapassa o mero plano doutrinal; trata-se de uma experiência viva que consolida a sua identidade espiritual e fortalece o testemunho comum. Ao acolher e viver esta unidade, a Igreja Apostólica Arménia não só honra as suas tradições sagradas, como também contribui de forma significativa para o fortalecimento da unidade da Igreja universal de Cristo. Esta reflexão convida-nos a reconhecer e valorizar o poder transformador da unidade, tanto no seio das nossas comunidades de fé como na Igreja universal.
A maturidade espiritual implica acolher as diferenças e, ao mesmo tempo, trabalhar pela unidade com a mesma intensidade com que se procura a unidade da fé. A nossa força reside na capacidade de dar testemunho de Cristo na unidade, refletindo o seu amor e a sua misericórdia para com o mundo. Ao viver este chamamento divino, cumprimos a nossa missão e honramos Cristo, fazendo avançar o seu Reino na terra.
Abracemos este chamamento divino à unidade, não como um ideal abstrato, mas como uma expressão vital da nossa fé. Num mundo em que o Corpo de Cristo se encontra ferido por divisões internas e entre tradições e confissões, o apelo do Apóstolo à unidade dirige-se a cada um de nós, não apenas enquanto comunidades eclesiais distintas, mas também como um chamamento pessoal enquanto membros dessas comunidades. Vivendo na unidade, não só damos testemunho do amor e do poder de Jesus Cristo, nosso Senhor, como também encarnamos a essência dos seus ensinamentos. Ao apoiarmo-nos mutuamente e ao celebrar os diversos dons e talentos, refletimos o coração de Cristo e fazemos avançar a sua obra na terra.
A IGREJA APOSTÓLICA ARMÉNIA:
UMA PERSPECTIVA TEOLÓGICA
(Texto publicado pelo Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos da Santa Sé)
INTRODUÇÃO
A Igreja Apostólica Arménia, reconhecida como uma das comunidades cristãs mais antigas do mundo, desempenhou um papel fundamental na formação da identidade espiritual e histórica do povo arménio durante quase dois milénios. Fundada no início do século IV, com raízes que remontam à era apostólica, esta venerável instituição transcende a organização religiosa; ela personifica a resiliência nacional, o património cultural e a fortaleza espiritual. Além de oferecer orientação espiritual, a Igreja tem salvaguardado as tradições, a língua e os valores arménios, especialmente durante períodos de adversidade e dominação estrangeira. Nos tempos contemporâneos, particularmente perante desafios como o conflito em Nagorno-Karabakh e o deslocamento da população de Artsakh, a Igreja continua a servir como fonte de força e consolo para os arménios. Hoje, ela se destaca como um farol de fé, unidade e continuidade para os arménios em todo o mundo, proporcionando insights que ressoam na comunidade cristã global mais ampla.
FUNDAMENTOS HISTÓRICOS
As origens da Igreja Apostólica Arménia estão profundamente enraizadas nos ensinamentos dos apóstolos Tadeu e Bartolomeu, que evangelizaram a Arménia já no século I d.C. No entanto, foi sob a orientação de São Gregório, o Iluminador, o primeiro católico oficial (patriarca) da Arménia, que o cristianismo começou a florescer. Em 301 d.C., a Arménia tornou-se a primeira nação a adotar o cristianismo como religião oficial sob o reinado do rei Tiridates III, um acontecimento que distinguiu a Arménia como pioneira da fé muito antes da adoção do cristianismo pelo Império Romano.
A Sé Matriz de Santo Etchmiadzin, localizada perto de Yerevan, serve como centro espiritual e administrativo da Igreja Apostólica Arménia. A Tradição Sagrada relata que São Gregório recebeu uma visão divina de Cristo descendo do céu e batendo no chão com um martelo de ouro, designando o local para a primeira catedral arménia. Esta visão levou à construção da Catedral de Santa Etchmiadzin, uma das igrejas mais antigas do mundo, simbolizando o vínculo duradouro entre a Igreja Arménia e os seus fiéis. Ao longo dos séculos, a Sé Matriz tem sido um centro de espiritualidade e autoridade eclesiástica, guiando os fiéis e preservando a herança cristã arménia.
TRADIÇÃO ÚNICA E IDENTIDADE CULTURAL
A Igreja Apostólica Arménia faz parte da tradição ortodoxa oriental, caracterizada por práticas teológicas e litúrgicas distintas. Os seus rituais, moldados por costumes cristãos antigos e influências culturais arménias, refletem profunda reverência e profundidade espiritual. A Divina Liturgia, juntamente com os sacramentos da Igreja, celebrados em arménio clássico, incorporam cantos seculares, incenso e vestimentas ornamentadas, criando uma atmosfera que conecta os fiéis à Igreja primitiva.
A Igreja Apostólica Arménia, de acordo com os ensinamentos dos três primeiros concílios ecuménicos, defende a doutrina apostólica da Santíssima Trindade e a plenitude da divindade e humanidade de Cristo, alinhando-se com a comunhão ortodoxa oriental mais ampla. A Igreja afirma que Cristo sofreu, foi crucificado, ressuscitou ao terceiro dia e ascendeu ao céu, e que aguarda o seu glorioso regresso para julgar os vivos e os mortos. Esta compreensão cristológica influência profundamente o discurso teológico da Igreja e moldou as suas relações ecuménicas ao longo da história. Através do sacramento do batismo, os arménios renascem em Cristo, participando na vida divina através do sacramento da Sagrada Comunhão e da celebração da Eucaristia. A Igreja confessa que o Espírito Santo, que inspirou os profetas e apóstolos, continua a inspirar os fiéis e a guiar a Igreja, que é una, santa, universal e apostólica. A Igreja administra um único batismo e proclama a ressurreição dos mortos, o julgamento eterno e a promessa da vida eterna no Reino dos Céus.
Além da sua missão espiritual, a Igreja tem sido fundamental para o desenvolvimento da cultura arménia. Desempenhou um papel crucial na invenção do alfabeto arménio e no florescimento da literatura e da arte arménias, incluindo o projeto monumental de traduzir a Bíblia para o arménio. Ao longo dos períodos de domínio estrangeiro, incluindo os impérios árabe, mongol, persa e otomano, a Igreja atuou como guardiã da língua, da literatura e das artes arménias. Os mosteiros surgiram como centros de aprendizagem e produção cultural, preservando manuscritos e promovendo a arte religiosa que incorpora a identidade cristã arménia. Mesmo sob o ateísmo soviético, a Igreja manteve uma presença discreta, mas resiliente, apoiando as necessidades espirituais e culturais do povo arménio.
O PAPEL DA IGREJA NA VIDA ARMÉNIA
Ao longo da turbulenta história da Arménia, a Igreja Apostólica Arménia tem sido vital para a sobrevivência e resiliência do seu povo. Ela proporcionou continuidade e estabilidade perante a perseguição, migrações forçadas e genocídio. Durante o genocídio arménio de 1915, a Igreja tornou-se um refúgio para aqueles que sofriam, oferecendo consolo e preservando a esperança de um futuro melhor. A Igreja comemora este trágico evento anualmente, honrando a memória dos mártires e defendendo o reconhecimento e a justiça.
Na Arménia moderna, a Igreja continua a exercer uma influência significativa na vida nacional. Após a dissolução da União Soviética em 1991, a Arménia passou por um renascimento religioso, e a Igreja Apostólica Arménia recuperou o seu papel central na sociedade. Hoje, a Igreja participa ativamente em iniciativas sociais, educativas e caritativas, abordando questões como a pobreza, a saúde e a educação. Também apoia as comunidades arménias na diáspora, promovendo a unidade e garantindo que as tradições e a fé arménias permaneçam vivas entre os arménios em todo o mundo.
RELAÇÕES ECUMÉNICAS E ENVOLVIMENTO GLOBAL
A Igreja Apostólica Arménia tem uma rica tradição de ecumenismo, esforçando-se por construir pontes com outras comunidades cristãs. Nas últimas décadas, tem-se envolvido em diálogos com várias denominações, incluindo igrejas católicas romanas, ortodoxas orientais e protestantes, procurando pontos em comum, ao mesmo tempo que preserva a sua herança única. A participação da Igreja no Conselho Mundial de Igrejas e as suas relações com o Vaticano e outros organismos eclesiais exemplificam o seu compromisso com a unidade cristã e a compreensão mútua.
O compromisso da Igreja com o diálogo vai além do cristianismo, abrangendo o diálogo inter-religioso com outras religiões, como o islamismo. Esses diálogos têm promovido a paz e a compreensão, particularmente numa região marcada pela diversidade religiosa e tensões históricas. Nesse espírito, a Igreja Arménia tem contribuído para discussões globais sobre tolerância religiosa, gestão ambiental e justiça social, refletindo o seu compromisso com os valores do amor, da compaixão e do respeito num mundo complexo.
Datas fundamentais na história da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos
c.1740 Na Escócia, surgiu um movimento pentecostal, com ligações norte-americanas, cuja mensagem revivalista incluía orações por e com todas as igrejas.
1820 O reverendo James Haldane Stewart publica “Sugestões para a União Geral dos Cristãos para o Derramamento do Espírito”.
1840 O reverendo Ignatius Spencer, convertido ao catolicismo romano, sugere uma «União de Oração pela Unidade».
1867 A Primeira Conferência de Lambeth dos Bispos Anglicanos enfatiza a oração pela unidade no Preâmbulo das suas Resoluções.
1894 O Papa Leão XIII incentiva a prática de uma Oitava de Oração pela Unidade no contexto do Pentecostes.
1908 Primeira celebração da «Oitava pela Unidade da Igreja», iniciada pelo reverendo Paul Wattson.
1926 O movimento Fé e Ordem começa a publicar «Sugestões para uma Oitava de Oração pela Unidade Cristã Unidade”.
1935 O abade Paul Couturier, da França, defende a “Semana Universal de Oração pela Unidade Cristã” com base na oração inclusiva pela “unidade que Cristo deseja pelos meios que Ele deseja”.
1958 A Unité Chrétienne (Lyon, França) e a Comissão Fé e Ordem do Conselho Mundial de Igrejas começam a preparar em conjunto materiais para a Semana de Oração.
1964 Em Jerusalém, o Papa Paulo VI e o Patriarca Atenágoras I rezaram juntos a oração de Jesus «para que todos sejam um» (João 17).
1964 O Decreto sobre o Ecumenismo do Concílio Vaticano II enfatiza que a oração é a alma do movimento ecuménico e incentiva a observância da Semana de Oração.
1966 A Comissão Fé e Ordem do Conselho Mundial de Igrejas e o Secretariado para a Promoção da Unidade Cristã [agora conhecido como Dicastério para a Promoção da Unidade Cristã] iniciam a preparação conjunta oficial do material da Semana de Oração.
1968 Primeira utilização oficial do material da Semana de Oração preparado conjuntamente pela Fé e Ordem e pelo Secretariado para a Promoção da Unidade Cristã.
1975 Primeira utilização do material da Semana de Oração com base num rascunho elaborado por um grupo ecuménico local. Um grupo australiano foi o primeiro a adotar este plano na preparação do rascunho inicial de 1975.
1988 Os materiais da Semana de Oração foram usados no culto inaugural da Federação Cristã da Malásia, que reúne os principais grupos cristãos daquele país.
1994 O grupo internacional que preparou o texto para 1996 incluiu representantes da YMCA e da YWCA.
2004 Acordo alcançado para que os recursos para a Semana de Oração pela Unidade Cristã fossem publicados e produzidos conjuntamente no mesmo formato pela Fé e Ordem (CMI) e pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade Cristã (agora Dicastério) (Igreja Católica).
2008 Comemoração do 100.ºaniversário da Semana de Oração pela Unidade Cristã. (A sua antecessora, a Oitava da Unidade da Igreja, foi celebrada pela primeira vez em 1908).
2017 Marcando a comemoração do 500.º aniversário da Reforma, os materiais para a Semana de Oração em 2017 foram preparados por cristãos na Alemanha.
2025 Marcando a comemoração do 1700.º aniversário do primeiro Concílio Ecuménico da Igreja, realizado em Nicéia, perto de Constantinopla, em 325 d.C., os materiais foram preparados pelos irmãos e irmãs da comunidade monástica de Bose, no norte da Itália.