A HORA DE CHEGAR À MISSA

Acho curioso, (para não dizer outra coisa pior), que se discuta sobre a hora de chegar à Missa, sobretudo a Dominical.

Quando eu era novo, (já lá vão muitos anos), dizia-se que a Missa era “válida” se se chegasse até à proclamação do Evangelho.

Naquele tempo isso não me incomodava nada, e até achava que era muito bom que assim fosse pois facilitava a vida das pessoas.

Mas naquele tempo também pensava que a Missa e outras “coisas” da Igreja eram muito mais obrigações do que propriamente caminho para Deus e com Deus.

Desculpem a ironia, mas era do tipo: Cumpria-se e pronto, estávamos “safos”!

Confesso que quando regressei a Deus e à Igreja, e ainda procurava caminho de discernimento e entendimento, dei comigo a pensar quantas Missas teria que “assistir” para compensar todos os Domingos em tantos anos em que não tinha ido à Missa.

Claro que era um pensamento tolo que não tinha qualquer fundamento, e eu já o sabia bem nessa altura, mas lembrei-me agora dele para “ilustrar” este texto que vou escrevendo.

A verdade é que muitas vezes esta “discussão” sobre a que horas devemos chegar à Missa ou até que ponto ela é “válida”, indicia, penso eu, um entendimento da Missa como uma obrigação a cumprir para “obedecer” a Deus, talvez até com medo que Ele “castigue” alguém por não cumprir essa “exigência”.

Ora Deus não quer ser obedecido, ou melhor, quer ser amado, e no amor não há obediência como normalmente a pensamos, mas sim entrega e desejo de fazer a vontade do outro que amamos, porque também o amado fará a nossa vontade porque que o verdadeiro amor é recíproco.

Ah, mas nós podemos invocar que Deus não faz sempre a nossa vontade, mesmo quando nós fazemos a d’Ele.

E ainda bem que assim é, porque sendo o amor de Deus por nós infinitamente maior do que o nosso, e sabendo Deus o que é melhor para nós, apenas nos dá aquilo que Ele sabe ser melhor para nós, não só em coisas boas como até em contrariedades que nos ajudam a crescer na fé e no nosso dia a dia.

Claro que isto é uma visão muito simples de tudo o que é ou deve ser a nossa relação com Deus, mas eu não sou teólogo e como tal gosto de ver as coisas de Deus à luz de um olhar simples e amoroso.

Regressando à hora ou tempo a que devemos chegar à Missa, ocorre-me algo que pude constatar numa visita a Moscovo que fiz por causa de um Congresso Termal Internacional, e que foi o seguinte: Reparei que muitas pessoas que se dirigiam às Igrejas cristãs, para rezar ou celebrar, muito antes de chegarem à igreja, na rua, deixavam de conversar, se persignavam e entravam em recolhimento.

Há muito tempo que faço sempre o possível para chegar à igreja para a celebração da Missa, no mínimo vinte minutos antes e, normalmente vou pelo caminho, (moro a escassos metros da minha igreja), invocando interiormente o Espírito Santo.

Então, mas quando devo chegar para a celebração da Missa?

Procurei em vários sites católicos e não encontrei nada que definisse tal tempo, mas apenas textos que apelavam no mínimo ao bom senso de cada um.

Claro que os argumentos para chegar a tempo, ou seja, antes do início da celebração são muitos, tais como, por exemplo, se temos um encontro com alguém muito importante, fazemos sempre o possível para chegar antes.

Não queremos, obviamente, deixar à espera alguém que é mais importante do que nós, ou mesmo que o não seja.

Então e para Deus porque não agimos do mesmo modo?

Deixamo-lO à nossa espera?

E, se chegamos atrasados, para além disso, ainda incomodamos os outros que já estão na celebração.

E quando falamos do tempo de chegada à Missa, também podemos de igual forma falar do tempo em que saímos da celebração, pois a verdade é que vemos muita gente que, infelizmente, sai antes da bênção final.

Ironizando novamente é como se disséssemos a Deus: Já dei o que tinha a dar, por isso fica satisfeito com o que Te dei e “prontos”, até porque tenho coisas mais importantes para fazer!!!

Julgo que não vale a pena argumentar mais nada sobre o assunto, mas ainda me lembro de uma frase do meu querido pai, (que era a pontualidade precisa), que dizia: A falta de pontualidade é pura e simplesmente má educação.

Ora eu não quero ser mal educado com Deus!

Joaquim Mexia Alves

Patrício Oliveira

Padre desde 2011, ao serviço da Paróquia da Marinha desde como Pároco desde 2019.

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