Bispo de Coimbra rejeita visão da confissão como «tribunal» e apela à misericórdia
O bispo de Coimbra defendeu hoje que o Sacramento da Reconciliação é um espaço de cura e misericórdia, rejeitando a visão da confissão como uma obrigação motivada pelo medo ou como um tribunal.
“Muitas vezes a confissão é vista como uma obrigação, com sentimento de medo ou a partir de ideias estranhas: ‘O padre não tem nada que saber os meus pecados’, ‘é a libertação da alma’, ‘só me confesso a Deus’. Mas a reconciliação não é um tribunal nem é um mero descargo de consciência. É a resposta à pergunta fundamental: como lidar com a minha imperfeição, como lidar com o meu pecado”, assinalou D. Virgílio Antunes, numa intervenção enviada à Agência ECCLESIA.
A reflexão foi divulgada através de uma vídeo mensagem nas redes sociais da diocese, no âmbito da iniciativa global ‘24 Horas para o Senhor’, agendada para os dias 13 e 14 de março.
O responsável diocesano esclareceu o significado das falhas humanas no contexto da fé cristã, sublinhando que a aproximação ao sacramento exige uma vontade autêntica de transformação pessoal.
“No contexto cristão o pecado é simplesmente o contrário de amar, é uma rotura com Deus, uma rotura com os outros e uma rotura connosco próprios. Faz sentido confessar quando há um esforço real de mudança”, indicou o bispo de Coimbra.
D. Virgílio Antunes abordou as diferentes designações atribuídas a esta celebração, destacando a palavra “reconciliação” como a mais adequada para expressar o restabelecimento da relação com Deus e sublinhando a necessidade de sarar as feridas interiores.
“O pecado não é apenas uma mancha que se limpa, é uma ferida que precisa de ser curada. Este sacramento é o lugar da misericórdia instituído por Jesus para que a graça de Deus nos permita sarar essa ferida”, declarou.
A mensagem em vídeo alerta para o papel específico do sacerdote durante a absolvição, recordando as orientações do Papa Francisco sobre a atitude de acolhimento exigida aos confessores.
Só Deus perdoa os pecados. O sacerdote não é o dono do perdão, mas o seu servidor. Ele está ali em nome de Cristo para acolher com delicadeza e paciência, conduzindo o penitente à cura interior. Como nos lembrou o Papa Francisco, o confessionário não deve ser uma câmara de tortura, mas sim o lugar da consolação e do estímulo para a conversão ao seu amor.”