Espinhos

Por vezes esqueço-me de Ti e deixo-me levar por pensamentos que alimentam o meu orgulho e a minha vaidade.

Mas logo, num momento, Tu segredas ao meu coração o meu nome, com tanto amor, que de imediato percebo que me estou a deixar levar por mim, em vez de me deixar guiar por Ti.

E então zango-me comigo próprio, barafusto, e tento sair da teia que o inimigo, que tão bem me conhece, vai urdindo para me perder em coisas vãs.

Levanto os olhos ao Céu, ou melhor, baixo os olhos, envergonhado, e digo-Te com tristeza, mas confiando: Porquê, Senhor, porque permites que continue a cair nestas armadilhas?

Tu sorris, com aquele sorriso de Quem ama infinitamente, e dizes-me com ternura: «vigia e ora para não caíres em tentação»

Oh, Senhor, nestes momentos sinto-me tão pobre, tão frágil, tão inconstante, tão volúvel, tão nada, afinal, como se todo o caminho percorrido me escorregasse por entre os dedos e eu voltasse tão para trás como no início.

Tens-me ajudado a vencer tantas coisas, Senhor, mas esta tão especifica, do meu orgulho e da minha vaidade, quando a julgo vencida, vem de novo para me atormentar.

Tens-me dado tanto, Senhor, em dons e batalhas vencidas, mas, perdoa Senhor, quase trocava tudo pelo dom da humildade.

Joaquim Mexia Alves

Patrício Oliveira

Padre desde 2011, ao serviço da Paróquia da Marinha desde como Pároco desde 2019.

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Palavras Caídas do Céu – Pecado