São José, mestre e modelo para os homens de hoje
São José é uma inspiração para todos, mas principalmente para os homens. São tantos os que hoje nos querem ensinar o que é um homem e estão tantas vezes equivocados. Queremos aprender a ser homens? É só olhar para São José.
É legítimo dizer que mais discreto do que São José, só Deus e a sua graça. E mais importante que ele para a história de Jesus, só Nossa Senhora, Maria, sua Mãe e nossa Mãe.
São José é um homem justo e simples, com uma importância na história da salvação inversamente proporcional à sua presença nos relatos do Evangelho. Não lhe é conhecida uma única palavra, desaparece sem deixar rasto e, ainda assim, sabemos tudo o que é necessário saber sobre ele: São José é esposo, São José é pai, São José trabalha, São José cuida, São José protege, São José sacrifica-se, São José acompanha.
São José é artesão tornado instrumento.
São José vive à escuta. Ele trabalha e cuida, com uma autoridade que brota do serviço. São José faz, sem alarido, aquilo que qualquer homem deve fazer: proteger o que é frágil com a coragem de quem se levanta de noite para garantir o pão à sua família, sem procurar atalhos nem saídas fáceis. Vemo-lo quando ponderou abandonar Maria por duvidar da origem da sua gravidez: mesmo diante duma aparente infidelidade, desejava-o fazer sem manchar a honra de Maria. É ou não é de “homem”? Quão mais fácil seria apresentar-se como o justo, o “legitimamente” indignado? Mas a essa opção faltava virtude, o que a torna indigna de qualquer homem bom.
São José sabia bem o que queria: levar uma vida simples, como carpinteiro, em Nazaré, casar-se com uma jovem, ter filhos, vê-los crescer, amadurecer, e gozar a sua velhice cuidando dos netos, essas prendas preciosas. Os planos de Deus, revelados a São José em sonhos, mostraram outro caminho, um caminho que implicava perder-se completamente na história de outros, confirmando dessa forma quem ele realmente é: um artesão tornado instrumento.
São José faz o que tem a fazer sem ocupar o centro.
São José leva no seu coração o grande mistério que envolve Maria. E não deveria ser esse o grande desejo de qualquer homem, de qualquer marido: ter um coração cheio do amor pela sua mulher, que é também amor por Deus? Homem pragmático, ele sonha com a vontade de Deus e põe-na em prática. E não deveria ser assim qualquer homem, sempre pronto e disponível para arriscar o impossível, a custo do seu próprio amor, querer e interesse?
São José faz o que tem a fazer, mas não ocupa o centro. Mostra que a autoridade não é sinónimo de domínio, mas sim serviço. Num tempo de redes sociais e de desejo de protagonismo, ele mostra a real liderança, aquela que é feita de obras, sem levantar a voz nem se fazer ‘à fotografia’.
Para aqueles que, como eu, escolheram a vida consagrada, o celibato por amor do reino dos Céus, São José é igualmente modelo. São José ensina-nos a amar com coração de pai aqueles que Deus coloca no nosso caminho, a estarmos sempre presentes, sempre vigilantes, sem nunca abandonar, sempre disponíveis para abraçar, fieis nas quedas e disponíveis para as alegrias.
São José não impõe os seus planos a Deus. E aqui reside o segredo da sua felicidade: quem quer ser feliz, tem de deixar que Deus lhe estrague os planos. Quem quer ser feliz, tem que arriscar o Evangelho.
Num tempo com tanto ruído, que São José nos inspire a cultivar o silêncio e a procurar, em todo o lugar e a qualquer hora, a maior glória de Deus. Afinal, de que serve a nossa vida se não arriscamos o impossível?
Que São José interceda por nós!