Mensagem para o Dia da Mãe da Comissão Episcopal do Laicado, Família e Vida
AFINADORA DE CORAÇÕES
A melodia da maternidade é todo um alfabeto musical, é uma história de Amor em tom maior, de coragem, de responsabilidade e de perseverança, que insiste em manter o coração alinhado e afinado, não obstante os sobressaltos e notas soltas.
Ser mãe é muito mais do que dar à luz. É amar de forma infinita para além da razão e da compreensão, é abdicar de tantos sonhos, é ensinar a voar e ficar a assistir, de sorriso rasgado e coração cheio, às conquistas dos filhos. É correr e socorrer quando caem, é dar beijos nas feridas, é suavizar todos os hematomas que se vão somando ao logo da vida. Ser mãe é ser, acima de tudo, afinadora de corações! Como precisamos, hoje, deste urgente trabalho de afinação dos corações pela paz, pela reconciliação e pela fraternidade.
Ser mãe não significa somente colocar um filho no mundo, mas é também uma escolha de vida. O que escolhe uma mãe, qual é a escolha de vida de uma mãe? A escolha de vida de uma mãe é a escolha de dar a vida.
Cada vez temos mais consciência de que o exemplo e o abraço de uma mãe são o único antídoto para o mundo de hoje de solidão e de violência. Uma sociedade sem mães seria uma sociedade desumana, porque as mães sabem testemunhar sempre, mesmo nos piores momentos, a ternura, a dedicação, a força moral. Nos tempos sombrios de guerras em que vivemos, precisamos de aprender com as mães que o heroísmo pode ser mostrado em doação, a força na compaixão e a sabedoria na serenidade.
Contemplamos Maria, mãe da esperança! Ela que viveu com a palavra de Simeão: “Uma espada de dor trespassará a tua alma” (Lc 2, 35). Essa alma, por ser toda amor, era infinitamente vulnerável. Quando Maria, durante três dias, andou à procura do seu Filho adolescente, tendo Ele ficado em Jerusalém; quando o seguiu durante a sua vida pública, vendo-o confrontar-se com as incompreensões ou hostilidade de muitos; e – sobretudo – quando o acompanhou no caminho do Calvário, onde sofreu mais do que qualquer outra mãe. Contudo, no âmago do seu sofrimento, ela guardou uma confiança inquebrantável. Para lá do seu sofrimento, ela tinha a certeza de que era amada por Deus, mantendo a confiança nele. Maria, que conhece e compreende melhor do que ninguém, os sofrimentos das mães, ensina, mães e filhos, a viver em paz.
É bom que, neste Dia da Mãe, as nossas mães sejam cantadas e acarinhadas com belas palavras e gestos de ternura. Mas as nossas mães têm de ser muito mais escutadas e muito mais reconhecidas no seu papel central na sociedade. Só assim construiremos um mundo de paz e de reconciliação.
São as mães que mais odeiam a guerra, que mata os seus filhos. Pensemos naquelas mães quando recebem a carta: “Digo-lhe que o seu filho morreu em defesa da pátria…”. Pobres mulheres! Como uma mãe sofre e apesar de tudo sabe testemunhar a beleza da vida.
O arcebispo Óscar Romero dizia que as mães vivem um “martírio materno”: “Dar a vida não significa somente ser morto; dar a vida, ter espírito de martírio, é dar no dever, no silêncio, na oração, no cumprimento honesto do dever; naquele silêncio da vida quotidiana; dar a vida pouco a pouco? Sim, como a dá uma mãe que, sem temor, com a simplicidade do martírio materno, concebe no seu seio um filho, dá-o à luz, amamenta-o, fá-lo crescer e cuida dele com carinho. É dar a vida. É martírio”.
Neste tempo de incerteza e de tantas guerras violentas, confiamos as mães a Maria, que é a mãe de todas as mães. Recordamos e rezamos pelas mães que que perderam filhos e estão de luto, mas também pelas mães que lutam pela saúde da sua família, mães cuidadoras de idosos e de pessoas com deficiência.
Que as mães não esqueçam que os seus filhos também são filhos de Maria. Com elas, Maria partilha a sua responsabilidade materna, carrega os sofrimentos e as dificuldades dos seus filhos. Com as mães – e ainda mais do que elas – ela deseja a sua felicidade.
Ser mãe é ser feliz somente por ser mãe. Ser mãe é ser amor e amor que ninguém esquece, mas que sempre se agradece.
Que a celebração de mais um Dia da Mãe junte, em coro, as nossas vozes para manifestarmos todo o amor e gratidão para com as nossas mães!