O amigo Padre Zé Alves

A notícia, surpreendentemente triste, foi um choque que me abalou brutalmente.

O padre José Martins Alves, (o Padre Zé para mim, pelo menos), era um muito querido amigo que, mais do que cruzar a minha vida, fez parte muito importante dela e, sobretudo, do meu reencontro e caminho com Deus e para Deus.

Quando chegou a Monte Real para assumir a sua missão como pároco, dava eu os primeiros passos na minha reaproximação a Deus e à Igreja.

Entendeu rapidamente o meu empenho e vontade de viver a fé cristã em toda a sua plenitude, (nesse tempo eu cantava no coro da paróquia), e percebeu que os conhecimentos que eu tinha da fé cristã, por tudo aquilo que os meus pais e colégios católicos que tinha frequentado me tinham ensinado, viviam ainda em mim e iam conduzindo a minha vida ao encontro da fé.

Ainda pouco se falava em “recasados”, (e eu era-o nesse tempo), e coisas semelhantes, mas ele, sem receio, veio convidar-me para ser catequista, especialmente dos adolescentes, tendo-o eu alertado para o “perigo” de ele poder ser criticado por tal opção.

Respondeu-me que eu não me preocupasse com isso, que ele ali estava para responder às críticas com os seus argumentos.

Seria demasiado longo contar neste texto tantas coisas que em Monte Real e depois de Monte Real vivemos em Igreja, e por isso, apenas relembro outro dois factos que muito me tocaram então.

O primeiro foi que sendo eu, passados alguns anos o coordenador diocesano do Renovamento Carismático Católico, ele foi escolhido e nomeado pelo Bispo de então, D António Marto, assistente diocesano do RCC.

Logo na primeira reunião, com uma humildade desconcertante, disse-nos que conhecia muito pouco daquela espiritualidade, e que, portanto, a queria conhecer e viver verdadeiramente, pedindo-nos para o ajudarmos nesse caminho.

Colaborou connosco sempre com uma abertura total a todas as coisas do RCC, que para ele eram novidade, e nunca tentou mudar a espiritualidade que vivíamos, pelo contrário, tentou vivê-la como nós a vivíamos.

Anos mais tarde, desejando levar os Percursos Alpha para a sua paróquia de Porto de Mós, inscreveu-se com alguns membros da sua paróquia, para fazer um Percurso Alpha na Marinha Grande, como convidados.

Ficou no grupo de partilha que eu coordenava e, mais uma vez, humildemente ouviu, debateu, argumentou, mas sempre com um respeito enorme pela opinião dos outros membros do grupo, nunca se tentando destacar por ser sacerdote.

A seu convite fui várias vezes a Porto de Mós dar temas do Alpha, onde fui sempre recebido com todo o carinho, o que cimentou ainda mais a nossa amizade.

Dou por mim a pensar num lugar comum que costumamos dizer perante estas situações, mas que verdadeiramente sinto em mim como uma forte realidade.

Perdi um amigo na terra, mas ganhei um intercessor no Céu.

Dou graças a Deus pelo dom da vida do meu querido amigo Padre Zé, e peço-Lhe em oração que o receba nos Seus braços de amor por toda a eternidade.
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Marinha Grande, 15 de Outubro de 2026
Joaquim Mexia Alves

Patrício Oliveira

Padre desde 2011, ao serviço da Paróquia da Marinha desde como Pároco desde 2019.

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