Santa Ana e São Joaquim
Inicialmente São Joaquim e Santa Ana eram celebrados em dias diferentes, é na década de 1960 que o Papa Paulo VI, após o concilio Vaticano II institui o dia 26 de julho para que a Igreja celebre a memória conjunta de Santa Ana e São Joaquim, que segundo a tradição cristã são os pais da Virgem Maria.
São Joaquim e Santa Ana, não são, no entanto, mencionados nos evangelhos canónicos da Bíblia. A sua história aparece nos evangelhos apócrifos, não incluídos no cânon oficial da Igreja, Evangelho de Pseudo-Mateus e no Proto-evangelho de Tiago, escrito já no segundo século provavelmente por volta do ano 150 DC, nestes relatos constam como um casal de idade avançada sem filhos, o que naquele tempo era considerado um castigo divino, são considerados pacientes, com devoção familiar e educação na fé, após muita oração e sacrifício conceberam Maria, a devoção a ambos remonta aos primeiros séculos do Cristianismo e inspirou grandes obras de arte sacra.
Em termos históricos muito pouco se sabe sobre eles, no entanto tudo ajuda a situar Maria e a sua origem numa família de virtude, cujos pais serão considerados Santos pela Igreja Católica. O que se escreve sobre eles é mais como afirmação de valores importantes para a época, e terá sido escrito já muito mais tarde, são histórias baseadas em relatos que eram transmitidos desde o princípio do Cristianismo, e colocam Joaquim como sendo da linhagem do Rei David e Ana como pertencendo à família de Aarão, logo Maria tinha uma linhagem.
Já em 2020 o Papa Francisco decreta o 4º domingo de julho como o Dia Mundial dos Avós e dos idosos, que é muito próximo do dia 26 de julho, data da celebração de São Joaquim e Santa Ana. Esta tradição existia já em Portugal, devido a D. Aninhas, Ana Elisa Couto, natural de Penafiel e que achava que os avós não recebiam o valor merecido na sociedade e graças à sua luta nos anos 80, a Assembleia de Républica aprovou em 4 de junho de 2003 o Dia dos Avós, que por questões religiosas se celebraria a 26 de julho, e passou a fazer parte do calendário nacional, esta tradição passou também ao Brasil e a Espanha.
A celebração do Dia dos Avós e dos idosos, não só os avós de Jesus, mas o de todos nós, é uma oportunidade para refletir sobre a situação de muitos idosos e muitos avós, que vivem sós, isolados e em condições precárias, no entanto o comercio começa a ver uma oportunidade de vender mais um miminho!
Quando se fala em avós, sinto sempre um sorriso porque recordo os meus avós, que de certeza nunca ouviram falar que havia um dia dos avós, mas que me encheram de carinho me deixaram sujar no meio da terra, cortar couves apanhar feijões e batatas e tudo servir para “cozinhar”, pobres bonecos sujeitos a comer aquela refeição. Sempre havia um delicioso pão da tarde e uma sopa de feijão, nada voltou a ter o mesmo sabor, só ficou na memória junto com histórias e jogos de cartas e dominó. Lembro os avós dos meus filhos sempre lá, dispostos a fazer comidas especiais, a ir levar ou buscar, a brincar, contar histórias cuidar e amar sem limite.
Para mim, este dia ganhou um valor diferente em 26 de julho de 2023, era um tempo de correria de ansiedade e muita alegria, preparávamos a JMJ e as pré jornadas na nossa paróquia, tudo praticamente pronto, vão chegar 600 peregrinos para alojar, na escola, nas famílias, na sede da ordem e dos escuteiros, nas famílias, as refeições, sei lá tanta coisa, reunião final e a alegria que sentíamos na noite de 25 já nos levava para o que viria a acontecer nos dias seguintes.
Mal eu sabia que às 11,20h do dia 26 iria chegar o primeiro peregrino, não o das JMJ porque só era esperado às 13h, mas para a minha família. Nascia o Tomás o meu primeiro neto! Uma alegria que não cabia no peito, um ser tão pequenino e que nos preenchia tanto, um sentimento inexplicável, nem maior nem mais pequeno que o que já senti, apenas diferente, um querer proteger, cuidar, ensinar, como é que Deus me concedeu tamanha graça?!
Gostava que a minha família pudesse ser, o que se diz de Santa Ana e São Joaquim avós de Jesus, modelo de virtude, exemplo de fé de perseverança, mas o caminho é difícil.
Para este ano de 2026 em que se celebra o VI Dia Mundial dos avós e dos idosos, o Papa Leão XIV escolheu como tema “Eu nunca te esquecerei” , é o nosso Deus que nunca esquece ou abandona um dos seus filhos, e nós que somos convidados a nunca esquecer os mais velhos ou frágeis, a ser esperança e consolação especialmente aos que estão mais esquecidos, reconhecendo que são uma bênção para todos nós.
Isabel Santos