Santo António foi «expoente máximo das virtudes, da sabedoria, mas também do amor popular»,

12 Junho, 2026 12:57

Frei Isidro Lamelas, franciscano, acrescenta que religioso português foi «porta-voz dos pobres, falava a língua que toda a gente entendia»

Lisboa, 12 jun 2026 (Ecclesia) – Santo António foi pregador e professor de Teologia, é doutor da Igreja, tem fama de milagres, é erudito e popular, a investigadora universitária Ana Lúcia Esteves afirmou hoje que o santo franciscano português “é inesgotável, é interminável”.

“É um fenómeno só, quando às vezes nos dizem há quase dois Santo Antónios, ele consegue conjugar tudo num. E, de facto, foi o expoente máximo das virtudes, da sabedoria, mas também do amor popular. Mais do que um caso de veneração, é um caso de amor, e ele é padroeiro de tudo”, disse a especialista, esta sexta-feira, 12 de junho, véspera do dia de Santo António, à Agência ECCLESIA.

Ana Lúcia Esteves destaca que na vida de Santo António “houve uma atenção fantástica aos pobres”, e também às raparigas solteiras que não podiam casar por não terem dote, “um destino cruel, muitas vezes, que lhes estava reservado”, e explica que os etnólogos consideram que ser casamenteiro “vem muito desta altura do ano, a pujança da primavera, a explosão da natureza, o facto de ser um santo de solstício, que herdou muita coisa de São João”.

“Nomeadamente em Pádua, em que ele apoiou tanto os pobres, até com leis para reverter o destino dos prisioneiros, terá ajudado raparigas com o dote para casar, falando a financiadores. E daí vêm tantas lendas bonitas, como aquela rapariga que estava a rezar, cai um papel a dizer entrega ao ourives, o ourives abre, e ele diz, ‘ordeno-te só que ponhas o papel num prato e ouro no outro’. E foi pondo ouro, ouro, ouro e quando equilibrou era exatamente o valor necessário para o dote”, desenvolveu a investigadora universitária em torno de Santo António.

Neste contexto, frei Isidro Lamelas, da Ordem dos Frades Menores (Franciscano), recorda “um certo combate a um pessimismo cátaro, maniqueu, que desvalorizava o matrimónio”, e Santo António, a sua pregação, “valorizava a família, o matrimónio, o amor”, o que também ajuda a explicar “este aproveitamento depois que o povo faz” do santo português que nasceu em Lisboa.

O sacerdote franciscano explica que Santo António é muitas vezes apelidado, “e muito bem”, como o protetor, o advogado, “o porta-voz dos pobres, e porta-voz aqui é no sentido ainda mais profundo”, ele era a sua voz e “toda a sua mensagem, os tais sermões, que são profundamente bíblicos, litúrgicos, dominicais”, e marcados pela “preocupação social”, “uma certa denúncia profética dos erros, dos desequilíbrios, das injustiças, dos abusos dentro e fora da Igreja”.

Frei Isidro Lamelas assinalou que um dos elementos significativos do fenómeno Antoniano é sua a língua, “a parte do seu corpo que se conserva melhor, apesar de ser tão frágil”: “É uma espécie de sacramento, uma representação daquilo que ele foi e é”.

“A voz e a língua dos pobres, ele falou a língua do povo, muita gente pergunta como é que ele comunicava, falava português, falava latim. Sabemos que falava a língua que toda a gente entendia, e falava também a língua de Deus, compaixão e misericórdia”, acrescentou.

Ana Lúcia Esteves reforçou, sobre os sermões e os pobres, que Santo António “falava para todos”, e “não havia ninguém que não o entendesse”, os comerciantes fechavam as lojas, toda a gente a corria, “e do mais pobre ao mais erudito da altura, todos o entendiam”.

O Vaticano publica uma mensagem do Papa para o Dia Mundial dos Pobres no dia 13 de junho, festa litúrgica de Santo António, celebração instituída pelo Papa Francisco no Jubileu da Misericórdia (2016).

A fama de santidade de Santo António levou o Papa Gregório IX a canonizá-lo, a 30 de maio de 1232; Pio XII proclamou-o como “doutor da igreja universal”, com o título de ‘Doctor Evangelicus’ (Doutor Evangélico), através da carta apostólica ‘Exulta, Lusitania Felix’ (Alegra-te, ó feliz Lusitânia), de 16 de janeiro de 1946.

Patrício Oliveira

Padre desde 2011, ao serviço da Paróquia da Marinha desde como Pároco desde 2019.

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