Vaticano: Papa alerta para palavras «vazias» e convida fiéis a «beber» da fonte da Bíblia

Cidade do Vaticano, 11 fev 2026 (Ecclesia) – O Papa alertou, no Vaticano, para as palavras “vazias” que preenchem o quotidiano contemporâneo, contrapondo-as à riqueza da Bíblia, que definiu como um “diálogo” vivo entre Deus e a humanidade.

“Vivemos rodeados de tantas palavras, mas quantas delas são vazias! Por vezes, ouvimos até palavras sábias que, no entanto, não tocam o nosso destino final. A Palavra de Deus, pelo contrário, sacia a nossa sede de sentido, de verdade sobre as nossas vidas”, declarou, durante a audiência pública semanal.

Perante milhares de pessoas reunidas no Auditório Paulo VI, o Papa sublinhou que a Sagrada Escritura é a “única Palavra que é sempre nova” e “inesgotável”, lamentando que muitas vezes seja substituída por ruído.

Na catequese, dedicada à ligação entre a Palavra de Deus e a Igreja, Leão XIV prosseguiu o ciclo de reflexões sobre a constituição dogmática ‘Dei Verbum’, do Concílio Vaticano II, para afirmar que a Bíblia não é um livro isolado, mas tem o seu “habitat” na comunidade cristã.

“A Igreja venerou sempre as divinas Escrituras como venera o próprio Corpo do Senhor, não deixando jamais, sobretudo na sagrada liturgia, de tomar e distribuir aos fiéis o pão da vida”, assinalou, citando o documento conciliar.

O Papa recuperou a célebre expressão de São Jerónimo – “A ignorância da Escritura é a ignorância de Cristo” – para explicar que ler a Bíblia não é um ato académico, mas uma forma de entrar em “conversa” com Deus.

“Isto acontece quando lemos a Bíblia numa atitude interior de oração: então Deus vem ao nosso encontro e entra em diálogo connosco”, precisou.

O pontífice evocou ainda o magistério de Bento XVI e a exortação ‘Verbum Domini’, publicada em 2010, após o Sínodo sobre a Palavra de Deus, reforçando que a interpretação da Bíblia “só pode ser feita na fé eclesial”.

“O que a Igreja ardentemente deseja é que a Palavra de Deus chegue a cada membro e alimente a sua caminhada de fé”, disse o Papa, dirigindo-se de forma particular aos bispos, sacerdotes e catequistas, para que tenham “amor” e “familiaridade” com o texto bíblico.

No final do encontro, Leão XIV deixou uma saudação aos peregrinos de língua portuguesa.

“A leitura orante da Palavra de Deus, que é sempre um alimento extraordinário, torna-se nos momentos de fraqueza também um remédio revigorante. A partir da liturgia diária, proposta pela Igreja, convido-vos a intensificar o diálogo amigo com o Pai, haurindo dele luz e conforto. Que o Senhor vos abençoe, a vós e às vossas famílias”, declarou.

A audiência geral começou com uma homenagem à Virgem Maria, assinalando-se hoje, 11 de fevereiro, o Dia Mundial do Doente, na memória litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes.

Patrício Oliveira

Padre desde 2011, ao serviço da Paróquia da Marinha desde como Pároco desde 2019.

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