Domingo VII Tempo Comum - ano c

Jesus ensina que o amor aos inimigos é essencial para seus discípulos, exigindo que amem, façam o bem, abençoem e orem por aqueles que os maltratam. Esse ensinamento rompe com a lógica humana tradicional e amplia o mandamento do Antigo Testamento sobre o amor ao próximo.

Para Jesus, não há limites para o amor: ele deve ser estendido a todos, independentemente de identidade ou atitudes.

Jesus apresenta exemplos práticos desse amor incondicional e enfatiza que não se trata de passividade diante da injustiça, mas de romper com o ciclo de ódio e violência, promovendo a reconciliação. Ele resume essa atitude na “regra de ouro”: fazer aos outros o que se deseja para si.

A razão para essa exigência está no próprio Deus, que ama e é misericordioso com todos. Como filhos de Deus, os discípulos devem refletir essa misericórdia no mundo.

O ensinamento de Jesus sobre o amor incondicional e o perdão continua a ser profundamente relevante nos dias de hoje, especialmente num mundo marcado por conflitos, polarização e desigualdades. Vivemos numa sociedade onde o ódio e a intolerância se manifestam de diversas formas—seja através de discursos agressivos nas redes sociais, guerras entre nações ou divisões dentro das próprias comunidades e famílias.

A proposta de Jesus não é simplesmente um ideal inatingível, mas um desafio concreto para transformar o mundo através da compaixão e da misericórdia. Amar os inimigos e perdoar os que nos fazem mal não significa ser conivente com a injustiça, mas sim quebrar o ciclo de violência e ressentimento que perpetua o sofrimento.

Na prática, este amor pode ser visto em ações de solidariedade, no acolhimento aos mais vulneráveis, na disposição para ouvir e compreender quem pensa diferente. Hoje, mais do que nunca, precisamos de testemunhas vivas desse amor—pessoas que escolham a reconciliação em vez do ódio, o diálogo em vez da agressão, a paz em vez do conflito. O verdadeiro discípulo, conforme descrito no Evangelho, não se limita a proclamar palavras bonitas, mas encarna o amor de Deus no dia a dia, tornando-se sinal de esperança num mundo que tanto precisa de cura.

2º ano do Casal de Malta

Patrício Oliveira

Padre desde 2011, ao serviço da Paróquia da Marinha desde como Pároco desde 2019.

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