«Alegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa.»
Na Solenidade de Todos os Santos, a Igreja convida-nos a contemplar a beleza da santidade e a recordar que o Céu não é um destino reservado a alguns privilegiados, mas uma promessa de amor que Deus faz a cada um de nós.
No Evangelho de hoje, Jesus sobe ao monte e apresenta-nos as Bem-Aventuranças. À primeira vista, as suas palavras parecem contrariar a lógica do mundo. Como podem ser felizes os que choram, os humildes, os perseguidos ou os pobres em espírito? É que Jesus nos revela uma felicidade que não depende das circunstâncias exteriores, mas de algo muito mais profundo: a presença de Deus num coração que se deixa amar e transformar por Ele.
As Bem-Aventuranças não são apenas um conjunto de ensinamentos ou regras de vida. São, antes de tudo, um retrato do próprio Cristo. É Ele o pobre em espírito, o manso e humilde de coração, o misericordioso, o puro, o verdadeiro construtor da paz. Por isso, viver as Bem-Aventuranças é procurar tornar o nosso coração cada vez mais semelhante ao Seu.
E é precisamente aqui que começa o caminho da santidade: na intimidade com Jesus.
Não nos tornamos santos apenas pelo esforço de praticar boas obras ou de cumprir os nossos deveres religiosos. A santidade nasce de uma relação viva e profunda com Cristo, cultivada na oração, na escuta da Palavra, na Eucaristia e nos pequenos gestos de amor de cada dia. Quanto mais permanecemos unidos a Ele, mais aprendemos a amar como Ele ama, a perdoar como Ele perdoa e a olhar os outros com a Sua misericórdia.
Ao contemplarmos a vida dos santos, percebemos que não foram pessoas sem fragilidades, dúvidas ou sofrimentos. Foram homens e mulheres que, nas circunstâncias concretas da sua existência, abriram espaço para que Deus realizasse neles a Sua obra.
Santa Teresinha ensinou-nos que a santidade pode florescer nos mais pequenos gestos feitos com grande amor. São Francisco de Assis mostrou-nos a alegria de um coração desprendido e inteiramente entregue a Deus. São Carlo Acutis recordou-nos, com a simplicidade da sua juventude, que a Eucaristia é um caminho privilegiado para o Céu.
Cada um percorreu um caminho diferente, mas todos descobriram o mesmo segredo: não há santidade sem amor, e não há verdadeiro amor cristão sem intimidade com Cristo.
Celebrar Todos os Santos é, por isso, muito mais do que recordar aqueles que já chegaram à glória do Céu. É reconhecer que também nós somos chamados a fazer parte desta grande família de Deus. A santidade não está distante da nossa vida quotidiana. Ela começa em casa, na família, no trabalho, na comunidade, na paciência diante das dificuldades, no perdão oferecido, na mão estendida a quem precisa e, sobretudo, naquele encontro silencioso com Jesus, onde o nosso coração aprende a escutar o Seu.
Talvez não sejamos chamados a realizar grandes feitos aos olhos do mundo. Mas todos somos chamados a algo verdadeiramente grandioso: deixar que Cristo viva e ame através de nós.
Neste dia de Todos os Santos, peçamos ao Senhor a graça de não nos contentarmos apenas em admirar a santidade dos outros, mas de desejarmos, também nós, percorrer esse caminho. Que os santos, nossos amigos do Céu, intercedam por nós e nos ajudem a descobrir a alegria de uma vida inteiramente unida a Jesus.
Porque, no fundo, ser santo é deixar-se amar por Deus, permanecer no Seu amor e fazer desse amor um dom para os outros.
E talvez seja esta a mais bela promessa das Bem-Aventuranças: quem aprende a viver com Cristo, desde já começa a experimentar a alegria do Céu.
Marília Ribas