Assembleia Vicarial - 2026
Em 2024 a nossa Diocese lançou um comunicado acerca da Transformação Pastoral da Diocese de Leiria-Fátima, que pode ser lido aqui.
Sábado será o início formal da Unidade Pastoral da Marinha Grande, que coincide com Vigararia.
Este tem sido um percurso complexo e desafiante. É tudo novo, a solução, mas talvez até mais o próprio problema: o modelo de pastoral que todos conhecemos e no qual crescemos está a chegar a um ponto de ruptura. É um mundo novo, novas circunstâncias sociais, pastorais, culturais e até económicas. Há menos vocações, os padres estão escassos. Não significa que a Igreja esteja a definhar ou a perder a Fé, também não significa que se trabalhasse mal. Significa apenas que temos que ajustar. O mundo acelerou muito e nós estávamos habituados a mudanças mais lentas.
Lemos isso na história da Igreja com facilidade, mas agora é tudo mais rápido e as mudanças sociais também, pelo que, a necessidade de um ajuste de linguagem, postura, ou como lhe queiram chamar, é muito mais urgente e necessário. E sejamos fracos: ninguém está preparado para isto.
É bem verdade que andamos todos a navegar à vista numa nova realidade.
Os velhos do restelo gritam forte; os que ousam ser descobridores pioneiros avançam, sem saber bem para onde ou como. Mas impõe-se que é preciso descobrir novos caminhos.
Neste momento a diocese está apostada nesta restruturação das comunidades com o modelo de Unidade Pastoral.
“O que é isso”, perguntam leigos e padres. O documento diz:
A Unidade Pastoral (UP) é um agrupamento de paróquias servidas e coordenadas por uma Equipa Presbiteral, formada por dois ou três sacerdotes, um dos quais é Moderador e coordena o trabalho em comum, em que todos são corresponsáveis pelo conjunto das paróquias. Também os leigos e religiosos de cada paróquia são convidados a envolver-se neste trabalho comum da sua UP, a partir dos ministérios e serviços que desempenham nas próprias comunidades: nos Conselhos Pastorais e Económicos, na Liturgia, na Catequese, na Pastoral Juvenil e Vocacional, na Pastoral Social em favor dos que mais precisam, etc. Assim, em comunhão com a Equipa Presbiteral, poderemos servir melhor a vida e a missão da Igreja.
Gosto também do que diz a Diocese de Viseu:
A unidade pastoral é uma particular união de várias paróquias limítrofes, confiadas pelo bispo ao cuidado pastoral unitário e chamadas a viver um caminho de partilha, coordenado por um verdadeiro espírito de comunhão e atuando um único projeto pastoral.
6 – Dada a diversidade das zonas da diocese, não será possivelmente oportuno, adotar e aplicar sempre e em toda a parte um modelo exclusivo de unidade pastoral. Será necessário dar lugar aos critérios da oportunidade, da gradualidade e da flexibilidade. Não obstante isto, será necessário fixar alguns elementos essenciais que definem a sua identidade.
7 – Entre os elementos de uma unidade pastoral, deve referir-se como essencial a nomeação de um presbítero coordenador, responsável pela unidade pastoral. Quando as paróquias que constituem uma Unidade Pastoral são confiadas a vários párocos, um deles será sempre o coordenador e responsável da unidade pastoral.
8 – Em cada unidade pastoral, identificados progressivamente os elementos ou instrumentos considerados importantes para a própria organização, o conselho da unidade pastoral providenciará um Regulamento, que adaptará as indicações diocesanas à própria situação.
9 – Juntamente com os elementos essenciais constitutivos de cada unidade pastoral, há aspetos que, por motivo da diversidade de situações, podem ser úteis ou oportunos. Como exemplo, pode-se confiar a um diácono ou a outra pessoa, ou a uma comunidade de pessoas, a participação no cuidado pastoral de uma paróquia onde não reside estavelmente o presbítero, por motivo da escassez de clero, como está previsto no cânon 517, parágrafo 2.
Fica muito claro: é uma ideia, que precisa ser ajustada à realidade concreta de cada comunidade. O que faz sentido em Coimbra, não faz sentido em Viseu e muito provavelmente não faz em Leiria-Fátima. Do mesmo modo que aquilo que resulta na Freixianda, não será adequado à Marinha Grande.
Temos uma inspiração e politiquices e bairrismos à parte, o Senhor chama-nos a ser Igreja, a continuar a sua Missão. Precisamos avaliar, adaptar e integrar.
Esta assembleia faz parte desta fase de (auto) avaliação das comunidades: o que é bom, o que pode mudar, o que é mais frágil e o que já não faz sentido e com base nisto avançamos para o passo seguinte: o que pode resultar para nós? De que modo podemos trabalhar, de modo que, a Missão seja o mais importante, apesar de todas as dificuldades que já referimos e bem conhecemos.
Teremos de reinventar a pastoral e as comunidades.
É por isso que é fundamental uma participação ativa na Assembleia da próxima semana. Está tudo preparado para que seja a manhã, a terminar com almoço (fornecido pela organização).
O programa será o seguinte:
09h15 - Boas-vindas
09h30 - Apresentação da sistematização dos trabalhos paroquiais
- Lançamento dos trabalhos de grupo
10h00 - Trabalhos de grupo
11h00 - Café
11h20 - Apresentação dos trabalhos
- Palavras do Bispo
- Início da UP
12h30 - Adoração ao Santíssimo
13h00 - Almoço Convívio
O contributo de todos, o sentir este trabalho como uma responsabilidade comum, serão vitais para uma mudança a médio/ longo prazo, que por um lado é necessária, mas que por outro lado pode ser uma oportunidade, de crescimento e de transformação.
Importa manter no horizonte o desejo de dizer sim ao convite missionário de Jesus que nos é lançando neste Domingo da Ascensão.
A Igreja só existe para servir a Missão de Jesus.
Pe. Patrício Oliveira