Do valor das coisas

 Deixou-me a cabeça à roda a o vídeo do Fábio.

Então o valor da coisa depende da perspectiva? Do contexto?

Ocorre-me o velho Alfred a contar ao Bruce Wayne como usaram pedra preciosas para comprar informações sobre um malandro e como depois encontraram crianças a brincar com rubys do tamanho de tangerinas (fica no fim o clip). Naquele contexto o ruby não tinha qualquer valor.

Penso no anel de madeira, para nós tão comum que a queimamos para aquecer, embora também sejamos capazes de grandes obras de arte de grande valor. Mas não deixa de ser comum, banal.

Repare-se que ele fala de madeira, poderíamos falar de madeiras raras, etc, sim, claro.

Penso sobretudo nas coisas que temos como seguras, comuns e na surpresa que é ver o valor e a surpresa de quem não tem... como pode alguém achar o meu normal, a minha “velha coisa” perdida ali na prateleira, preciosa.

Será a pessoa tola ou serei eu cego?

Serei eu cego ao valor do que me rodeia?!

Ouro e diamantes, preciosos aqui, profundamente banais no planeta XPTOYZX do quarteirão do lado;

Madeira banal, invejada por quem usa ouro para construir paredes lá no tal planeta XPTOYZX.

 E se não estivermos a falar de coisas? Se estivéssemos a falar de pessoas?

De gente que é dada como adquirida e certa num trabalho (numa relação, não vamos por aqui hoje), e que se sente desgastada, desvalorizada. Até ser encontrada por um apreciador de antiguidades que lhe reconhece o valor; um patrão diferente... um ambiente profissional diferente e tudo muda.

 

Em semana de oração pelos Seminários e pelas vocações penso também nesse material tão comum banal, parte da mobília: o padre da terra. O padre Bento lá em Ourém com as calças por cima do umbigo a ver passar a malta e os outros todos, cujas nucas e orelhas aparecem nas fotos de baptismo e casamento dos álbuns empoeirados.


 

 

Pedi ao Gemini uma tabela (os dados são aproximados e ilustrativos)

Os padres já não são tão comuns quanto isso. Estão numa fase de serem considerados raros, alguns de nós já há muito inscritos na classificação de ave rara.

Não é para tratamento privilegiado, é para perceber que não se pode pedir e esperar de 43 o mesmo que se esperava de 92...

Não dá. Não pode ser.

Não se pode queimar madeira que é rara, temos que encontrar outra solução.

Esta semana, rezamos e que esse bom sentimento continue pelo ano fora.

Rezamos pelos 3 raríssimos seminaristas. Cuidemos daquilo que tem valor.

E não é só sobre padres, é sobre pessoas.

Pe. Patrício Oliveira

Patrício Oliveira

Padre desde 2011, ao serviço da Paróquia da Marinha desde como Pároco desde 2019.

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