E de repente é Setembro

E pronto, já cá estamos.

À porta de um novo ano pastoral, a catequese arranca para a semana, nas lojas de artigos religiosos já há velas para a coroa do Advento.
O nosso ano inicia com algumas mudanças, nota mais visível para a catequese, de modo especial a mudança para a capela de Picassinos, mas também os materiais e os novos catecismos.

Não mudamos por mudar, mudamos para adequar às necessidades, para melhor servir.
O sonho é uma comunidade que cresce, que amadurece, que se torna discípula, porque apaixonada por Deus, com desejo de ser santa.
Inevitavelmente isto tem um preço. Um preço alto. O preço de sentir que nunca temos descanso, que nunca está tudo bem! Que nunca mais lá chegamos.
É o preço de não deixar acomodar.

Estes dias fiz o Caminho Primitivo, já pela terceira vez. É uma experiência curiosa. Por um lado, é tudo muito familiar, por outro, há coisas que juraria nunca ter visto. Outras estão lá, mas já não são o mesmo! Aquele café simpático onde havia café Delta, agora é albergue e já não serve senão os hóspedes.

Mas também estive em sítios que conheço há 25 anos e continuam exatamente como eram.
Pensei na nossa comunidade, pensei na pastoral e na nossa missão.
A missão é imutável: fazer discípulos, evangelizar, ensinar.
Mas, como o fazemos, muda, porque o mundo muda, a linguagem, os miúdos e os pais!

Vejo o shopping cheio de pais (sobretudo mães, vá...) com os miúdos, a comprar os lápis e as canetas e a roupa. Recordo bem o entusiasmo do cheiro do material escolar novo! Parece que foi ontem! Reparo também que os pais que vejo são da minha idade... então ontem eramos nós! Os meus Caran d’Ache ainda existem! E agora somos nós?!?

Vamos conservar o que é imutável e adaptar para abraçar o novo, o desafiante.
Procuramos uma solução que seja adequada, melhor. “Ah, mas foi sempre assim!”, e agora vai ser melhor.
É desconfortável, é. É complicado para as pessoas, é.

E para o padre?

( fica aqui espaço para a vossa opinião)

 

A missão é mais importante que a estrutura, por mais tradicional e confortável que seja. Não podemos cair no erro de acomodar.

Recordo as catequistas do tempo de antanho, que tinham as catequeses escritas num daqueles cadernos de capa preta (que a minha mamã também comprava para mim e que depois levavam uns autocolantes catitas) e a catequese era repetida religiosamente ano após ano... não chega!

Como não chega participar na catequese e ir à missa ocasionalmente. Sabe Deus que cumprir o preceito obrigatório é curto!
Trata-se de perceber onde queremos chegar por ser católicos, membros de uma comunidade. Se é por tradição, se é pelo simbolismo, o tempo esmaga tudo isso, sobrará pó que o vento leva.

 Se o sonho não é ser Santo, conhecer este Jesus e adequar a nossa vida à Sua Palavra, nada disto faz sentido, vai ser sempre um peso, uma nota de rodapé, talvez até uma pedra no sapato, que tanto incomodará que fará ferida. E a relação com Jesus cura.
A paróquia precisa ser instrumento que facilita essa cura.
Motivo pelo qual vamos ser sempre corajosos, encontrar novas ferramentas, novos hábitos, nova estrutura, para sermos local de encontro para quem procura Deus.

Abracemos o novo ano com coragem reforçada.

Pe. Patrício Oliveira

Patrício Oliveira

Padre desde 2011, ao serviço da Paróquia da Marinha desde como Pároco desde 2019.

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