E esta, hein?

É um dia cheio: Sagrado Coração de Jesus, dia de oração pela santificação dos sacerdotes, foi também o jubileu do clero em Fátima.

A manta está a ficar curta. O senhor bispo diz várias vezes com uma dolorosa graça: “eu bem olho para o banco de suplentes... está vazio!”

Estamos a ficar velhotes, sabem? Cansados. O panorama do nosso clero não é de todo o mais animador. Recordo o jovem que me dizia: “Eu padre? Para levar a vida que tu levas?!”

Ontem ao telefone com um colega de seminário, pároco de Talhadas, lá me dizia: “Isto é até cair e rebentar e depois todos se importam e perguntam porque não pedimos ajuda antes. Onde é que está a ajuda durante o ano todo, quando se continua a dizer que o padre é que sabe, ou se pergunta tudo ao padre, porque é mais fácil!

Não é tudo mau. Este ano tive um presente de aniversário antecipado “já me decidi, vou inscrever-me no ano propedêutico”.

O esforço que a pastoral paroquial-diocesana fez junto deste jovem foi zero!

Esta semana, junto dos colegas do secretariado do Conselho Presbiteral, lá se falava da questão vocacional, como uma das preocupações para o futuro.

O que é refrescante, até porque é uma vergonha ter de levar jovens a Penafirme para actividade vocacional, é triste que a diocese tenha deixado cair essas iniciativas. E ao preço dos combustíveis sai caro!

Lá partilhei a notícia, com a graça de Deus há um outro jovem de Ourém que também quer experimentar esta aventura.

Os colegas ficam perplexos. Foi um golpe duro, perceber que podemos investir imenso esforço e tempo e energia e nunca ter resultados. Mas surgirem espontaneamente.

Este jovem é uma carta fora do baralho. Fora do baralho dos nossos esquemas, pastorais, serviços, agendas e planos.

Foi acolhido pela comunidade. Sentiu-se envolvido, acolhido e parte desta comunidade, o que tornou possível conhecer o Coração de Jesus que o chama a fazer este caminho, porque tem grandes desígnios para ele.

Sinto que é isto que O Senhor nos pede, uma comunidade onde seja possível fazer a experiência do amor de Deus de forma verdadeira, profunda. O resto faz Ele.

Rezemos, pelos padres cansados e abatidos; rezemos pelos jovens inquietos e curiosos;

Abramos o coração à vontade de Deus e deixemo-nos surpreender.

E no fim deixemo-nos surpreender com o nosso querido “e esta hein?”

Talvez seja mais fácil do que pensávamos.

Pe. Patrício Oliveira

Patrício Oliveira

Padre desde 2011, ao serviço da Paróquia da Marinha desde como Pároco desde 2019.

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De boas intenções está o inferno cheio