…foi o pensamento que me acompanhou ontem quando saí do Seminário de Caparide, após o aniversário do nosso seminarista Gustavo, que completou ontem 19 anos.
Família e pároco formam convidados para a missa ao fim do dia e para o jantar.
Presidir ali à missa foi meio estranho, confesso. Acho que foi a primeira vez que presidi num seminário ativo com seminaristas. São 25. Nenhum deles tinha nascido quando eu entrei no ano propedêutico que eles estão agora a fazer.
E eu sou um rapazinho novo. Com a graça de Deus ainda vamos ser colegas antes de eu ser geriátrico.
Devo dizer que é reconfortante ver tanto miúdo ali. A questão da falta de vocações deixa-nos sempre ansiosos e aflitos. Estamos à porta da Semana se Oração de Oração pelos Seminários, multiplicamos as orações e as preces.
Dou por mim a pensar se não é uma forma, piedosa claro, de forçar a vontade de Deus à nossa.
Há poucos padres, dizia-me um colega do Porto, para a estrutura que nós criámos, para a forma de fazer as coisas e administrar paróquias e sacramentos.
Queixamo-nos tanto quando ouvimos: “mas foi sempre assim!”, e se Deus quer apenas que nos reinventemos? Que procuremos não novas formas de fazer o do costume, mas que aprofundemos o ser Igreja, missão e participação.
É verdadeiramente um tempo desafiante, um mundo que parece cada vez mais louco, a precisar de uma resposta sólida, forte, que traga Luz, Paz, sentido...
Os leigos precisam de amadurecer e assumir um papel ativo, responsável;
E os padres assumir verdadeiramente o seu múnus próprio. Talvez tenhamos de ser corajosos e deixar de fazer as milhentas coisas, que fazemos, que não precisam do selo do sacramento da Ordem. E mais umas quantas coisas que talvez andemos a evitar e a protelar, escudando-nos com várias desculpas. Sim, os padres não são muito diferentes dos leigos que nos cansam a paciência.
Havemos de encontrar um novo rumo, não como resposta à falta de mão de obra. Mas porque é a Missa da Igreja, é a forma de caminharmos para O Pai, de construir o Reino dos Céus, que já está entre nós.
25 jovens seminaristas que colocam a questão vocacional de forma séria e corajosa, são um sinal de esperança muito positivo.
O Senhor não esquece, não dorme, não desampara, trabalha incansavelmente.
Saibamos nós abrir os olhos e os ouvidos do Coração a tanto que Ele nos quer dizer.
Pe. Patrício Oliveira