Passos pequeninos também são progresso
Recebi esta semana um e-mail de uma família, queriam baptizar os filhos cá, mas estão emigrados. Agendámos reunião online, que somos uma paróquia moderna!
Quando atendi a chamada, naqueles segundos de conexão, a cara da mãe era-me familiar e assim que o som surgiu ouviu-se: “os anos passam, mas o senhor não muda”.
Não era da minha cabeça, era mesmo uma cara familiar!
“Deu-me catequese na Maceira...”
Que vertigem. Fez-se claro quem era. Passaram 16 anos, foi preparação para o crisma... como diz o António Guterres: “é só fazer as contas”.
Estas contas batem-me sempre de forma pesada. No outro dia descobri que há pais do sétimo ano mais novos que eu! O que me vale é que estou bem conservado!
“Só 16 anos e já 16 anos”. É o tempo que tenho desta vigararia da Marinha Grande. Aquela cara familiar era a mesma, mas ao mesmo tempo, já não era.
Se há 16 anos me dissessem como estaria a ser o dia de hoje, eu teria rido, rido forte.
Penso sempre como ao longe parece tão distante, penso nos sonhos de mudança/renovação pastoral, nos desafios de ter paróquias vivas, empenhadas, a trabalhar bem!
E ao olhar para trás... de facto muito se andou. Gostaria que fosse mais? Sim, certamente.
Foi mais do que se poderia ter imaginado? Seguramente. Só e já 16 anos.
Afinal, é bem verdade, um pequenino passo também é progresso.
Estamos nas vésperas de voltar a participar na Conferência Internacional Alpha e este ano acrescentam-se dois dias extra com outro evento sobre renovação pastoral. Enche-me sempre o coração a partilha com tanta gente, do mundo inteiro, que partilha as mesmas inquietações e dificuldades, mas sobretudo a mesma paixão de dizer sim a Jesus.
Este fim de semana Ele diz que é caminho e vida. E não ficamos sempre a achar que nos falta ainda tanto? Mas pequeninos passos também são progresso. Seja na renovação das comunidades, seja na vida pessoal, no nosso desenvolvimento espiritual e humano.
Talvez o segredo seja a consciência permanente de saber: para onde somos chamados, para onde queremos ir, como havemos de lá chegar. Mesmo que demore tempo.
Talvez a isto possamos acrescentar outra consciência a do tempo de Deus: o Kairós.
Dou graças a Deus por tudo o que já andámos e abro o coração a tudo aquilo que temos ainda para andar.
Agradeço a pessoa que fui e abro-me à graça vivificante do Espírito que age em mim para me mudar. Sou o mesmo, mas já não sou o mesmo.
A Marinha é a mesma, mas ao mesmo tempo já não é a mesma.
Sonho sempre como será lá mais à frente no caminho.
Pe. Patrício Oliveira
Mais acima na estrada, ao vivo no Royal Albert Hall, onde vamos passar os próximos dias.
(O Clapton toca lá daqui a umas semanas, se vocês me deixassem eu ia lá ver….)