Querido diário

Hoje o dia foi longo, já passa da uma da manhã de amanhã, foi cheio.

Visitas ao domicílio de manhã, é sempre bom estar a par as venturas e desventuras dos nossos fregueses, verificar o nascimento dos bisnetos e partilhar com eles o sorriso orgulho de quem aponta as fotos e desfia o nome dos filhos, netos, sobrinhos e irmãos.

Hoje até descobri que uma delas nasceu bem pertinho de mim e que até tinha sido aqui ministra extraordinária da comunhão, no tempo da outra senhora e do padre Alcides.

Penso sempre que é um bocadinho injusto como estas pessoas, pedras vivas, que deram e foram parte importante da comunidade, acabam por viver agora uma reclusão anónima, mais ou menos autoimposta ou resultante das curvas da vida; mas o padre herda os activos da paróquia, dificilmente herda a história toda e os nomes e as aventuras, talvez possamos fazer algo em relação a isso.

Depois fiz dois funerais e o cartório estava em brasa hoje, devem ter passado hoje mais de 20 pessoas! meia dúzia de pessoas a entregar pedidos de baptismo, sabiam todos que eu era o padre, mas também uma jovem que procurava perceber se o matrimónio teria sido mesmo válido; e confissões e telefonemas.

A secretaria ficou para trás. Amanhã há baptismo, dois funerais e um casamento e as 24 horas.

É já tarde na madrugada, tenho o sangue cheio de adrenalina. Nas imortais palavras do Rui Veloso: “isto é muita emoção carago!”

É realmente um grande privilégio ver de perto as alegrias e tristezas deste povo, escutar e ser instrumento da graça misericordiosa de Deus que se torna presente a através das minhas mãos.

Tanta gente que luta contra si mesmo, que não se acomoda, que luta, que quer mais.

Amanhã há mais. Sinto que a Páscoa deste ano vai ser bonita e sentida.

Senhor Jesus, dou-Te graças por tudo isto, cuida Tu deles agora por favor.

Patrício Oliveira

Padre desde 2011, ao serviço da Paróquia da Marinha desde como Pároco desde 2019.

Anterior
Anterior

Manual de sobrevivência para a Semana Santa

Próximo
Próximo

Errare é o Mano