Sexta-Feira Santa
Partilho hoje a homilia de hoje que o tempo não chega para tudo,
deixei o tema do Samuel Úria, mas deixo outro em “estrangeiro” também para ajudar.
Não me é nada simples falar do mistério que celebramos hoje. Precisa de me fazer sentido, faz-me muita confusão quando sinto que dizemos coisas, bonitas, com ar de piedoso e espiritual, mas que nem sempre se traduzem em algo real, concreto na nossa vida.
Dizer hoje que Jesus morreu pelos nossos pecados, para nos salvar, parece-me uma dessas afirmações. E sim, vou bater no mesmo, a esmagadora maioria nem se sente pecadora. Diz-se pecadora, porque lhe disseram que é pecador, mas pecados não sente que tem, logo: Jesus morreu pelos pecados dos outros.
A dimensão do Sacrifício não é mais fácil, porque pode dar ares de um Deus que tem de ser apaziguado com sacrifício de Sangue para nos salvar. E esse, não é o Deus que reconhecemos em Jesus e na sua pregação.
Vimos ontem que Jesus se oferece, se parte, se entrega. Ama até ao fim. Ao Pedro dizia que não ia entender naquele momento. Não estaremos errados se acharmos que era preciso ainda este momento para fazer sentido na cabeça do Pedro, na deste padre e, com a graça de Deus, na vossa.
Jesus não estava a brincar, não eram só boas intenções, não era uma sugestão: é mesmo dar-se, até ao fim, humilhar-se, oferecer-se totalmente, para que tenhamos vida, e vida em abundância.
No antigo testamento, o povo a caminho da terra prometida, teve um percalço com as cobras, foram curados, quando olhavam para a serpente de bronze erguida. Não era a serpente, era o movimento de erguer os olhos para o Céu!
Hoje fazemos o mesmo movimento, contemplamos a Cruz. E não se iludam, é horrível, a morte foi horrível e violenta. S. João nem descreve os pormenores todos, porque nos quer levar noutra abordagem, mas conhecemo-los. É um choque, é um escândalo, não foi nada bonito.
Será bonito dizer que ficamos hoje aqui junto dele. Nós temos dificuldade em ficar com quem chora, com quem está de luto, com quem cheira a lar de terceira idade, não se iludam: provavelmente nenhum de nós teria estômago para suportar aquilo.
Ficou a Mãe, com o coração despedaçado, o João, a cuidar dela e pouco mais.
Mas o que vemos nós nesta contemplação:
Uma nova Luz (já a pensar no círio de amanhã)
- Uma nova luz sobre o rosto de Deus.
Já o dissemos ontem: não é castigador, nem contabilista. Não que tenhamos medo dele, quer que tenhamos medo do pecado, medo do mal.
O rosto de Deus, como brilha hoje, traz conforto, esperança, alento, misericórdia e compaixão, e deve gerar em nós um ódio e um desejo de desapego do pecado.
É um rosto de Pai, para onde fugimos e nos refugiamos. Afinal de contas: amou de tal modo o mundo que nos deu o Seu Filho Unigénito!
- Uma nova luz sobre a Religião:
Há quem a ache o ópio do Povo, que esmaga, castiga, obriga, mete medo, que se reduz tantas vezes ao cumprimento escrupuloso e automático de regras mais ou menos externas (ninguém comeu carne hoje, certo?)
Jesus rejeita tudo isto, de modo especial quando expulsou os vendedores.
A religião como Jesus a sonha “re-liga” a Terra e o Céu, concretiza formas de nos relacionamos com Deus: vou à missa porque é a forma de encontrar a Deus, na palavra, na comunidade e na fração do Pão; não vou à missa porque é preceito. É Eucaristia como estilo de Vida!
- Uma nova luz sobre a humanidade:
O que é ser verdadeiro Homem? quem é o maior entre nós?
As visualizações, a fama, a fortuna, a influência, o poder, (e às vezes apenas o poder de mandar na igreja e nos grupos onde estamos...)
Para Jesus isto é o falhanço total, a Gloria vem do serviço, do cuidado, do amor, do dar-se sem medida. “como podem acreditar em mim, se o que procuram e receber honras uns dos outros? Jo 5, 44”
Hoje adoramos, prostrámo-nos por terra, sentimo-nos pequeninos, diante deste cenário terrível.
Ontem quisemos comungar, para imitar e hoje não é diferente.
Penso no sol que espreita por estes dias, aquele calor bom, que já nos fazia falta e saudades, não sei se já deram por vocês a meter mais que os pés ao sol e a fechar os olhos, a sentir o abraço caloroso que sabe bem.
É a Luz que brilha da cruz de Jesus.
O combate contra as trevas que sentimos acontecer, nos noticiários, lá longe, ou no interior do nosso coração, na nossa família, no nosso relacionamento, no trabalho, encontra hoje uma nova Luz. As trevas recuam. O mal foi vencido assim. Jesus venceu a morte e o pecado.
Mas sr padre eu ainda peco tanto! Mas agora sabemos que é possível fazer diferente. É duro, desafiante e assustador, mas possível.
Não só Jesus o fez primeiro, como nos garantiu que havia de estar sempre connosco.
Hoje ficamos nós com Ele. Com o coração apertado, um nó no estomago, porque a paixão de Jesus nos recorda o nosso pecado, que crava mais um prego na sua cruz.
Mas agora algo novo acontece, teremos nojo do pecado, medo do mal, medo de pecar, mas não medo do Pai, não medo de pedir perdão, não medo de estender a mão e procurar o auxilio misericordioso que jorra do lado aberto de Jesus, para nós claramente sinal da Eucaristia.
Ama-me como sou
Arte em Construção
Sou barro nas Tuas mãos
Misericórdia em movimento
Girando como a graça
À velocidade do Teu coração
Resistindo ao meu Criador
Impróprio para a roda
Tu dobras a minha rebeldia
Moldando o meu coração
Formado conforme a Tua vontade
Não sou nada senão pó da terra
Não mereço a redenção que encontrei
Tu amas-me como eu sou
Consigo vê-lo nas Tuas chagas
Aos Teus olhos, Senhor, eu basto
Pois estou seguro nos Teus braços
Agora vejo a beleza
A obra das Tuas mãos
O génio e o esplendor
Resgatando o que está morto
E soprando nova vida
Não sou nada senão pó da terra
Não mereço a redenção que encontrei
Ainda assim, estou seguro nos Teus braços
Tu amas-me como eu sou
Consigo vê-lo nas Tuas chagas
Aos Teus olhos, Senhor, eu basto
Como uma obra de arte viva
Tu amas-me como eu sou
Consigo vê-lo nas Tuas chagas
Eu sei que sou suficiente
Pois carrego a marca do Criador
art in the making
i’m clay in Your hands
mercy in motion
spinning like grace
at the speed of Your heart
resisting my Maker
unfit for the wheel
You bend my rebellion
reshaping my heart
formed as You will
i’m nothing but dust of the ground
i don’t deserve the redemption i’ve found
You love me as i am
i can see it in Your scars
in Your eyes Lord i’m enough
cos i’m held within Your arms
now i see the beauty
the work of Your hand
the genius and splendour
reclaiming what’s dead
and breathing new life
i’m nothing but dust of the ground
i don’t deserve the redemption i’ve found
still i’m held in Your arms
You love me as i am
i can see it in Your scars
in Your eyes Lord i’m enough
like a living work of art
You love me as i am
i can see it in Your scars
i know that i’m enough
cos i bear the Makers mark