No episódio anterior falámos de Céu e hoje o P. Nuno Tovar de Lemos, sj fala-nos do inferno. O que significa realmente esta palavra? Será um lugar de castigo? Um fogo eterno? Ou algo mais profundo e exigente?
No episódio anterior falámos de Céu e hoje o P. Nuno Tovar de Lemos, sj fala-nos do inferno.
No uso quotidiano, “inferno” serve para descrever sofrimento intenso. Mas, na fé cristã, o inferno tem um significado existencial mais radical. É um dos dois destinos possíveis depois da morte – céu ou inferno – distinto do purgatório. Não é um lugar físico, porque depois da morte já não existem espaço nem tempo como os conhecemos, mas uma situação definitiva.
O inferno pode ser compreendido como a ausência total de amor. E o “total” é decisivo: é uma vida fechada sobre si mesma, onde há abundância mas ninguém recebe porque ninguém dá. Não é um castigo imposto por Deus, mas a consequência extrema da liberdade humana quando esta rejeita definitivamente o amor.
A possibilidade do inferno não contradiz a bondade de Deus; pelo contrário, confirma-a. Sem essa possibilidade, o céu seria imposto e Deus deixaria de ser Pai para se tornar tirano. Por isso, a Igreja afirma o céu de muitos, mas nunca declarou ninguém como estando no inferno.

