Diocese de Leiria-Fátima admite 15 candidatos ao diaconado permanente

Numa celebração que marca a história da Diocese, 15 homens iniciaram formalmente o percurso de três anos que os pode conduzir à ordenação diaconal. O rito de admissão decorreu no Seminário de Leiria, presidido por D. José Ornelas.

A diocese de Leiria-Fátima realizou no sábado, 18 de outubro, a celebração eucarística de admissão de 15 homens como candidatos ao diaconado permanente. O rito, que decorreu na capela dos Santos Pastorinhos, no Seminário de Leiria, às 14h30, marca um passo histórico para a Diocese e representa o início formal de um caminho de formação de três anos para este ministério ordenado.

A celebração foi presidida por D. José Ornelas e contou com a presença de sacerdotes, familiares e amigos dos candidatos. A admissão acontece após estes homens terem concluído um ano de discernimento e acompanhamento pelo Serviço para o Diaconado Permanente.

Ao todo, 19 homens iniciaram o percurso de discernimento. No entanto, um deles faleceu e três desistiram por motivos diversos, resultando nos 15 candidatos agora admitidos oficialmente pela igreja diocesana.

Logo no início da celebração, D. José Ornelas não escondeu a emoção do momento: “Hoje é, sem dúvida, um dia muito feliz na vida da nossa Igreja diocesana e um dia também de esperança. E graças a vocês que estão aqui, candidatos ao diaconado, às vossas famílias e amigos que vos acompanham e aos padres que representam as comunidades de onde vindes.”

O bispo diocesano dirigiu-se particularmente às esposas dos candidatos casados, sublinhando que este é um caminho que se faz em conjunto: “Uma palavra muito específica para as esposas daqueles que são casados e familiares, porque é juntos que fazemos esse caminho. Vocês não estão perdendo ninguém, não estão dividindo o amor com ninguém; o amor que vocês têm uns aos outros é algo que se vai expandir precisamente no serviço à igreja.”

O ministério do serviço

Na homilia, D. José Ornelas contextualizou a decisão da Diocese em instituir o diaconado permanente à luz do processo sinodal que a Igreja está a viver. “Já foi tentado, mas pronto, chegou agora a vez”, afirmou, explicando que esta decisão foi votada “com alegria e esperança” nos órgãos próprios da Diocese.

O bispo sublinhou que não se trata apenas de ter mais dirigentes ao serviço: “Não é simplesmente uma questão de nós termos um grupo de dirigentes sólidos, capazes… Não é um grupo de dirigentes. É um grupo que, de diversas formas, dentro da nossa Igreja, foi chamado por Deus, que vai suscitando pessoas, homens e mulheres, para servir o seu povo.”

Recorrendo às leituras do dia, D. José Ornelas utilizou a imagem de Moisés com os braços levantados para ilustrar a importância da preparação e da oração: “É tão importante como a boa organização que nós temos, porque para fazer isso, estar verdadeiramente ao serviço de Deus para o seu povo, é preciso que nós tenhamos competência, que nós sejamos capazes de preparar-nos.”

O bispo destacou ainda a importância da experiência conjugal dos candidatos casados para o ministério: “E a vossa experiência de casados é muito importante para aqueles que dão vida e que estão ao serviço desta Igreja. Porque, senão, falta uma dimensão muito importante.”

Três anos de formação

Com este rito de admissão, os candidatos iniciam um percurso formativo com a duração de três anos que engloba componentes de pastoral social, profética e litúrgica, assim como espiritualidade e experiência apostólica e pastoral. O diaconado permanente é um grau da Ordem que se caracteriza pelo serviço à Palavra, à Liturgia e à Caridade.

Durante a homilia, D. José Ornelas enfatizou que a preparação não é apenas técnica: “Este período de preparação não é que é um período que tem um bocado de oração. Tem mais umas coisas para a gente aprender a ser eficiente.”

Ação de graças com dedicatória especial

Durante o momento de ação de graças, foi apresentado um vídeo com a canção “Quero servir-Te”, composta por Filipe Ferreira, um dos candidatos. O tema resultou do processo de discernimento do autor e espelha, nas palavras do próprio, “momentos significativos da minha caminhada cristã, passagens bíblicas que mais me tocaram e a convicção crescente de fazer caminho com os meus colegas candidatos”.

Filipe Ferreira dedicou o projeto a Bruno Coutinho, que também integrava o grupo de candidatos e que faleceu em setembro: “Ganhei coragem para concluir este projeto para poder dedicá-lo ao Bruno Coutinho, colega e amigo que partiu em setembro último, e cuja serenidade e entrega continuam a inspirar-nos.”

Histórias de chamamento

Entre os 15 candidatos admitidos, encontram-se histórias diversas de chamamento e discernimento. Micael Pereira, polícia de profissão e responsável pela catequese na sua paróquia há mais de 20 anos, conta que foi convidado pelo padre Jorge Guarda há cerca de dois anos: “Fez-me o convite, deixou-me a pensar ali seriamente, ainda há umas semanas, e depois senti uma força interior, digamos assim, que me levou a aceitar este convite.”

Casado, Micael sublinha que a esposa “aceitou bem” e descreve o caminho como “um sim diário”: “O ano de discernimento já passou, mas a meu ver até ao fim desta caminhada, acho que deve ser sempre um período de discernimento e ver se efetivamente é isto que Cristo quer para mim, ou não.”

João Dias, pasteleiro, tem um percurso particular. Foi seminarista mas deixou o seminário porque “o celibato não dava mesmo”. Depois de uma vida que descreve como “completamente ao contrário daquilo que aprendi no seminário”, sentiu o chamamento: “Tenho a certeza que Deus chegou ao pé de mim e disse, anda cá. E aí, agora sinto a obrigação de dar a cara por Ele na primeira linha até onde posso.”

Com o apoio da esposa, que está à frente da pastelaria para ele poder dedicar-se à formação, João destaca a importância do grupo: “Somos bastante diferentes. Temos vivências diferentes, até escolaridades diferentes. E dá para perceber a grandeza da Igreja aqui. Tornou-se uma relação de amizade.”

Sérgio Silva, encarregado-geral de uma empresa de mármores em Fátima, casado e com dois filhos e três netos, conta que o desejo de servir a Igreja vem desde criança: “Desde pequenino, quando tinha 12 anos, já fui fazer um estágio no seminário dis Monfortinos, na altura dizia que queria ser padre.”

Embora não tenha seguido esse caminho, constituiu família e foi catequista durante 25 anos. Quando surgiu o convite para o diaconado permanente, sentiu-o como natural: “Foi como um fogo ardeu dentro de mim. Foi uma luz que brilhou ainda mais e depois tive um grande apoio em casa. Isto foi tudo uma mais-valia. Eu posso dizer, do fundo do meu coração, que não houve a menor dúvida de nada.”

Palavras finais de união

No final da celebração, D. José Ornelas reforçou a importância da caminhada conjunta: “E só juntos é que podemos fazê-lo. E por isso hoje, muito obrigado a vocês, obrigado aos vossos familiares que estão cá, muito obrigado aos padres que vieram, porque juntos é que nós fazemos, formamos a Igreja.”

O bispo destacou ainda o significado do Seminário de Leiria como casa da Diocese: “Estava a dizer que queria que esta fosse a nossa casa. E o bispo também veio para aqui, exatamente para isso, para estar perto de onde se passam as coisas, para caminharmos juntos no caminho que o Senhor nos vai mostrando.”

José Sousa, um dos candidatos, resumiu o sentimento geral do grupo: “Era visível a felicidade de cada candidato neste primeiro passo, mas com a consciência do grau de dificuldade, e também da responsabilidade. Sentimos que não estamos sós, estamos unidos a esta Igreja sinodal onde vamos procurar aprofundar o sentido da missão inerente a este sacramento, no anúncio do Evangelho, e no serviço dos irmãos, particularmente dos mais necessitados.”

Os 15 candidatos ao diaconado permanente iniciam agora um percurso de formação que se estenderá pelos próximos três anos, com o objetivo de aprofundar a sua preparação para o serviço à Palavra, à Liturgia e à Caridade na diocese de Leiria-Fátima.

Patrício Oliveira

Padre desde 2011, ao serviço da Paróquia da Marinha desde como Pároco desde 2019.

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