Transfiguração do Senhor

«Transfigurou-se diante deles: o seu rosto resplandeceu como o Sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz.» (Mt 17,2)

É no cimo do Monte Tabor que Jesus se transfigura diante de Pedro, Tiago e João, revelando-lhes a Sua glória, para que pudessem perceber e aceitar mais tarde a Sua Paixão, Morte na Cruz e Ressurreição.

Jesus tinha anunciado pouco antes, pela primeira vez, a Sua Paixão e Morte, e os Apóstolos, muito especialmente Pedro, não queriam aceitar que tal acontecesse, não estavam dispostos a seguir um Messias cuja vida terminasse de tal modo, «pois ainda não tinham entendido a Escritura». (Jo 20,9)

«Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida.» (Jo 8,12)

Jesus não se “transforma”, mas sim revela a Sua divindade, revela-se como a Luz que o Homem precisa para encontrar o caminho de salvação.

«Nisto, apareceram Moisés e Elias a conversar com Ele.» (Mt 17,3)

Moisés e Elias representam a Lei e os Profetas da Antiga Aliança porque toda a história da Sagrada Aliança, Antigo e Novo Testamento, está orientada para Jesus Cristo, o Filho de Deus, que se fez homem para salvar o Homem.

«Ainda ele estava a falar, quando uma nuvem luminosa os cobriu com a sua sombra, e uma voz dizia da nuvem: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus todo o meu agrado. Escutai-o.»  (Mt 17,5)

A «nuvem», tal como descrito também no cimo do monte em que Moisés recebeu as Tábuas da Lei, a mesma «nuvem» que acompanha o povo de Deus nos 40 dias no deserto, revela-nos uma Teofania, ou seja, uma manifestação de Deus aos homens.

Já no Baptismo de Jesus se ouve a voz do Pai «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus todo o meu agrado.» (Mt 3,17), mas que agora acrescenta um imperativo: «Escutai-o»

É que escutar não é ouvir. Ouvir é algo que podemos fazer sem termos atenção ao que nos é dito, é um simples acto físico.

Escutar é tentar perceber o que se ouve, para depois discernir o que dessa escuta atenta é importante para a nossa vida.

Escutar Jesus, é guardar no coração as Suas palavras e fazer delas prática diária de vida.

«Tomando a palavra, Pedro disse a Jesus: «Senhor, é bom estarmos aqui; se quiseres, farei aqui três tendas: uma para ti, uma para Moisés e outra para Elias.» (Mt 17,4)

Perante o esplendor de Jesus transfigurado, Pedro e aqueles que o acompanhavam ficam extasiados, de tal modo que este exclama: "É bom estarmos aqui" (Mt 17,4).

Esta exclamação de Pedro significa algo muito humano em cada um de nós, ou seja, é tão bom estar aqui, corre tudo tão bem, é uma paz tão grande, que não quero sair daqui, quero viver apenas as partes boas da vida, o resto não me interessa.

Corremos, por isso mesmo, o risco de nos ficarmos apenas pelas emoções que, sendo perfeitamente legitimas, nos impedem de percorrermos um verdadeiro caminho de conversão e, por isso mesmo, é preciso «descer do monte» (Mt 17, 9), para no dia a dia das nossas vidas seguirmos Cristo e darmos testemunho do Seu amor.

Lembremo-nos do que Jesus nos disse: «Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, dia após dia, e siga-me.» (Lc 9,23)

A Transfiguração mostra-nos que Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, que está sempre connosco, muito especialmente na Eucaristia, que é sempre a Luz que ilumina a Igreja e deve alimentar e guiar as nossas vidas.

Nota: “A festa da Transfiguração recorda a dedicação das Basílicas do Monte Tabor, celebrada desde o fim do século V. Esta festa é posterior à da Exaltação da Cruz (14 de setembro), da qual depende a sua data, marcada para 6 de agosto, 40 dias antes da Exaltação da Cruz. A festa começou a ser celebrada, também no Ocidente, a partir do século IX, quando foi inserida no calendário romano pelo Papa Calisto III, em 1457.” Vatican News

Joaquim Mexia Alves

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