Santo Inácio de Loiola
“Ad maiorem Dei gloriam” (para maior glória de Deus) — é esta a frase que define a vida de Santo Inácio de Loiola. Criada pelo mesmo que mais tarde se tornaria o lema dos Jesuítas.
Santo Inácio ou Iñigo, como foi chamado antes de adotar o nome em latim, nasce em 1491 em Loiola, Espanha, um ano antes da descoberta das Américas por Cristóvão Colombo.
Desde cedo leva uma vida atribulada, perdendo os dois pais antes dos 16 anos de idade. Por isso muda-se para Arévalo, onde se torna pajem de um familiar. Ao viver a vida de corte, apaixona-se pelas coisas mundanas: pelas vestes fabulosas, pelo cabelo longo, pelas festas, pelas mulheres e pela busca da fama. É então que decide ingressar na vida militar.
Na batalha de Pamplona é atingido, na perna esquerda, por uma bala de canhão — tragédia permitida pela Divina Providência que o levará à conversão.
É durante o período de recuperação, estando acamado, que Santo Inácio decide ler e refletir bastante. Quando ele pede à sua cunhada que lhe traga mais livros sobre cavalheirismo e feitos militares grandiosos, temas que o mesmo amava, recebe então dois livros bem diferentes, para o grande desgosto dele: “A vida de Cristo” e “A vida dos Santos”. Porém, para sua grande surpresa, ao ler estas duas obras mostra-se fascinado pelos feitos dos Santos, com uma sede por saber mais e de os imitar.
Após ter recuperado totalmente, decide que deve ir a Montserrat, onde doa as suas vestes fabulosas a um pedinte. E no icónico momento em que se ajoelha perante uma estátua de Santa Virgem Maria e deixa a sua armadura e espada. A partir desse momento viverá apenas com o propósito de servir a Deus.
Numa caverna perto de Montserrat, passa um ano inteiro em oração, contemplação e jejum. É também aqui que irá compor a sua obra-prima “Exercícios Espirituais”, mexendo e retocando a obra ao longo da sua vida.
Percebe, porém, que para poder tornar conhecidos os Exercícios terá que aprofundar os seus conhecimentos teológicos. É aqui que a humildade de Santo Inácio se revela a todos, ao estudar com jovens praticamente 20 anos mais novos. Após dois anos segue para a Universidade de Alcalá e, no ano seguinte, para a Universidade de Salamanca, à procura de satisfazer a sua sede por conhecimento.
Embora será esta mesma sede que o irá levar a ser preso pela Inquisição três vezes. Uma vez que a universidade não o conseguia satisfazer, ele ia à procura de pessoas que estavam interessadas em seguir os Exercícios sob a sua direção espiritual. Devido à grande tensão que a Igreja vivia com o crescimento do Luteranismo, eram grandes as suspeitas de um homem que pregava sem ser ordenado. Decide, então, ingressar na Universidade de Paris, cidade onde, juntamente com outros seis homens, irão fazer os seus votos e fundar a Companhia de Jesus. Sendo o terceiro voto de serviço ao Pontífice não é de estranhar que uma das frases mais conhecidas de Santo Inácio seja:“Acredito que o branco que eu vejo é negro, se a hierarquia da Igreja assim o tiver determinado”.
Passará o resto da vida em Roma, passando a maior parte do seu tempo atrás de uma secretária, escrevendo mais de sete mil cartas. Mantendo, porém, a sua intensidade de oração e jejum, o que o levou a uma série de complicações médicas. O amor de Santo Inácio era tão fervoroso que ao celebrar missa diária e ao rezar o ofício de leitura chorava rios de lágrimas, recebendo por isso uma dispensa de rezar o ofício, para não deteriorar ainda mais os seus olhos.
Na manhã de 31 de Julho de 1556, Santo Inácio pede a seu secretário que vá pedir a bênção ao Papa. No seu regresso, antes de chegar à casa do seu mestre, ouve nas ruas as pessoas a murmurar tristemente “O santo morreu, o santo morreu”.
Fonte: “THE PIVOTAL PLAYERS: St. Ignatius of Loyola & Bartolomé de las Casas Study Guide”, de Pe. David Vincent Meconi, SJ & Rev. David Orique, OP, PhD
Gustavo Pimenta