‘Um ateu que ama a Deus’
O Papa Leão responde a uma carta/poema:
‘Um ateu que ama a Deus’
“Observo a natureza,
espreitando cada evolução:
o nascer do sol
ou o seu pôr no horizonte;
o céu estrelado
e o mistério da harmonia.
Creio que não creio,
absolutamente certo do nada,
continuo a ansiar por Deus.
O meu drama é Deus!
A minha inquietação é Deus!
Um ateu que ama a Deus!”
Rocco, de Reggio Calabria
Resposta do Papa Leão XIV*
Senhor Rocco,
Obrigado por escrever e pelo belo poema que me enviou.
O que o senhor disse fez-me lembrar imediatamente o que o meu amado pai, Santo Agostinho, escreveu nas Confissões:
"Tu estavas dentro de mim, e eu fora. E ali te buscava." Estas palavras por si só mostram que alguém que ama a Deus, que o procura com um coração sincero, não pode ser ateu.
Vários teólogos ajudaram-nos recentemente a refletir sobre como o importante na vida é procurar Deus. Sim, porque o verdadeiro problema da fé não é acreditar ou não acreditar em Deus, mas sim procurá-Lo! Deixa-se encontrar pelo coração que o procura, e talvez a distinção correta a fazer não seja tanto entre crentes e não crentes, mas entre aqueles que procuram Deus e aqueles que não o procuram.
Pode-se crer que se crê e não buscar a face de Deus, não amá-lo; pode-se crer que não se crê e ainda assim ser um fervoroso buscador da Sua face, amando-O como Ela o ama.
Olha, Rocco, todos ansiamos por Amor, buscadores de Deus.
E aqui reside a dignidade e a beleza das nossas vidas.
(*Tradução livre)