«O silêncio que se instala é o maior perigo», alerta Cáritas Diocesana
Para além da reconstrução de casas, organismo afirma que está em causa a «coesão social e económica de regiões inteiras»
Leiria, 26 fev 2026 (Ecclesia) – A Cáritas Diocesana de Leiria angariou, até esta quarta-feira, quase 1,81 milhões de euros para apoiar as vítimas do mau tempo, lançou uma plataforma para a submissão de pedidos e afirma que o silêncio “é o maior perigo”.
“O silêncio que se instala é o maior perigo. A Tempestade Kristin passou. As câmaras foram-se embora. A vida continuou — para muitos”, alerta a Cáritas Diocesana de Leiria em comunicado.
No documento enviado à Agência ECCLESIA, o organismo da Igreja Católica lembra que para muitas famílias “a tempestade ainda não acabou”.
A Cáritas Diocesana de Leiria quer ser clara: o que está em causa não é apenas a reconstrução de casas — é a coesão social e económica de regiões inteiras. E essa reconstrução não se faz em semanas”.
“Há uma realidade que não pode continuar invisível. Entre as pessoas mais vulneráveis estão cidadãos migrantes, muitos sem rede de suporte familiar, sem documentação que comprove a sua situação de arrendamento, presos em contratos informais que os excluem automaticamente dos apoios oficiais”, afirma a instituição.
A Cáritas de Leiria lembra que há muitas casas alugadas “gravemente afetadas pela Tempestade Kristin” que não são reparadas pelos senhorios e os que as habitam, sem poder exigir que sejam reparadas e sem ter para onde ir, enfrentam “o risco de despejo, numa altura em que o mercado de arrendamento oferece cada vez menos e exige cada vez mais”.
Quase um mês após a tempestade na região centro, a Cáritas Diocesana alerta também para a “escassez de mão de obra na construção civil”, um “problema estrutural” que existe no país, que se agravou com a procura de trabalhadores para a urgente “reabilitação habitacional”, provocando a subida de preços que cria obstáculos sobretudo às famílias com menos recursos.
A Cáritas de Leiria não se demite desta missão. Contudo, a resposta a esta crise não pode recair apenas sobre a solidariedade — exige respostas políticas concretas, recursos públicos e uma vontade coletiva à altura do desafio”.
No comunicado, a Cáritas Leiria informa que, até esta quarta-feira, o Fundo de Emergência alcançou 1.805.978,13 de Euros, distribuiu 1.071 cabazes alimentares de emergência, e 118 toneladas de alimentos e produtos de higiene distribuídos na área territorial da Diocese de Leiria-Fátima.
Esta quarta-feira, ficou também disponível uma plataforma onde “as famílias e pessoas afetadas podem submeter o seu pedido de apoio”, através da ligação https://intranet3.plumsail.io/d393d117-deff-40a5-85a5-41c5bdc289c2; o regulamento da aplicação do Fundo de Emergência estão também disponíveis em https://www.leiria-fatima.pt/caritas-kristin.