Domingo IV da Páscoa
Domingo do Bom Pastor
O Evangelho apresenta-nos Jesus como o Bom Pastor e como a porta das ovelhas, duas imagens que revelam profundamente a forma como Ele se relaciona connosco. Jesus não fala como alguém distante ou teórico; fala a partir da vida real, mostrando que Deus deseja proximidade, cuidado e segurança para cada pessoa. O Pastor conhece as suas ovelhas, chama cada uma pelo nome e dedica-se a elas com verdadeiro amor.
Quando Jesus afirma “Eu sou a porta”, sinto sempre um grande alívio. Afinal, é simples: basta entrar, porque Ele já a abriu por nós. Jesus não se coloca como um muro, uma cerca ou algo difícil que exija capacidades extraordinárias. Pelo contrário, Ele apresenta-se como acesso, oportunidade e caminho aberto.
Ele convida-nos a compreender que é por meio d’Ele que encontramos um caminho seguro. Naquele tempo, a porta do redil garantia proteção; hoje, essa “porta” representa as decisões que tomamos, as escolhas que fazemos e as vozes que escutamos. É importante lembrar que a “porta do redil” era baixa e pequena, exigindo humildade para entrar e uma relação pessoal com o Pastor. Muitas vezes questiono-me se eu — e a nossa sociedade — estamos verdadeiramente dispostos a fazer-nos pequenos num gesto de humildade para passar para algo infinitamente maior.
Caminhar com Cristo, entrar pela porta que é Cristo, significa permitir que Ele oriente a nossa vida, iluminando os caminhos, fortalecendo o coração e ajudando-nos a distinguir o que faz bem daquilo que pode ferir — sobretudo daquilo que nos afasta d’Ele e do Seu amor. Jesus também alerta para a presença de “ladrões e assaltantes”, imagens que representam tudo o que procura afastar-nos da verdade e da vida plena: influências que confundem, situações que roubam a paz, ideias que ferem a dignidade ou que nos fazem perder o sentido de quem somos. Esses “ladrões” podem vir de fora, com violência e desordem, ou de dentro, de forma subtil, através de escolhas aparentemente boas, mas que nos afastam do amor.
O Bom Pastor, ao contrário, não engana nem manipula. Ele chama, guia e acompanha. Não obriga ninguém: conduz com liberdade. A sua voz não causa medo, mas sim vida. Por isso Jesus afirma: “Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância.”Essa vida abundante não significa ausência de problemas, mas presença de sentido, coragem, verdade e esperança. É a certeza de que nunca caminhamos sozinhos. Como tantas vezes recorda D. José Ornelas: Jesus prometeu estar sempre connosco — mas não prometeu que seria fácil.
Cada um de nós encontra neste Evangelho um convite pessoal: ouvir a voz que nos chama pelo nome. O nome é a primeira coisa que recebemos ao nascer e, segundo muitos médicos, mesmo em sono profundo ou em coma, o nome continua a ser reconhecido. A mente responde, mesmo na fragilidade. Por isso, a nossa oração hoje deve ser esta: que nos deixemos tocar por essa voz que nos chama pelo NOME e nos consola quando há medo, que orienta quando surgem dúvidas e que devolve força quando parece que o caminho perdeu sentido. Reconhecer essa voz é permitir que Deus cuide, cure e renove a vida de cada um.
Este trecho também nos recorda que Jesus é, ao mesmo tempo, caminho seguro e Pastor cuidadoso. Ao acolher a Sua voz e seguir os Seus passos, descobrimos uma vida mais livre, mais verdadeira e mais cheia de amor — como tantas vezes diz o nosso Padre Patrício: “a vida que Deus sonhou para cada um de nós.”
Catequese do 7.º Ano – Marinha Grande