Domingo V da Quaresma

“Eu acredito, Senhor…” 

   O Evangelho proclamado neste V Domingo da Quaresma relata-nos um sinal miraculoso que Jesus realizou, testemunhado por grande número de pessoas de Jerusalém e arredores, desconcertante em muitos sentidos.

   Na descrição que o evangelista Mateus faz do retorno à vida de uma pessoa falecida havia 4 dias, já em decomposição, vemos o sinal da íntima comunhão do Filho com o Pai, vemos a autoridade de ambos para dar a vida, de a retomar, numa mesma comunhão de vontades.

   Essa comunhão íntima entre o Pai e o Filho é confirmada diante dos presentes, não sem antes ter havido a Profissão de Fé de Marta de que Jesus era efectivamente o Messias prometido, pese embora as perguntas que afloram ao pensamento de todos, sobre se não teria sido possível ser de outra forma.

   É exactamente a mesma pergunta que fazemos tantas vezes, questionando-nos sobre se não poderiam as coisas ter sido de outra maneira, sobre porque é que Deus permite que algumas coisas aconteçam, mesmo sabendo que Ele nos ama com um amor total.

   A resposta surge logo no princípio da passagem quando Jesus afirma: “Essa doença não é mortal, mas é para glória de Deus…” e é confirmado depois na oração que Jesus faz ao Pai: “Eu bem sei que sempre Me ouves, mas falei assim por causa da multidão que nos cerca, para acreditarem que Tu Me enviaste”.

   A conclusão que decorre, se bem que não seja automática para todos, é a garantia de que as palavras que Jesus profere são verdadeiras quando afirma com igual autoridade: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, viverá; e todo aquele que vive e acredita em Mim não morrerá para sempre”.

   A assumpção desta Verdade não é fruto do deslumbramento por um milagre espantoso, mas decorre de uma procura interior que começa muito antes, clarifica-se ao escutarmos as palavras de Jesus, é conduzida suavemente pelo Espírito do Pai e do Filho e, finalmente, fica confirmada pela acção de Deus no meio da Humanidade.

   Esta é a pedagogia divina para connosco, que nos vai revelando gentilmente no meio da nossa caminhada terrena os desígnios que tem para com todos aqueles que se deixam mover pelo Amor.

Fernando Brites, 4º ano da catequese da igreja Paroquial

Patrício Oliveira

Padre desde 2011, ao serviço da Paróquia da Marinha desde como Pároco desde 2019.

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