Expecto Patronum

O Feitiço do Patrono (Expecto Patronum) é o mais famoso e um dos encantos defensivos mais poderosas conhecidos. É um imensamente complicado e extremamente difícil feitiço que evoca uma força de energia positiva parcialmente tangível conhecido como um Patrono (pl. Patronos) ou guardião espírito. É a proteção primária contra dementadores...

 

No verão quando me juntei ao nosso agrupamento, coincidiu com a festa da padroeira da Paróquia onde decorreu a actividade, Arcos de la Frontera, achei sempre graça à forma como o espanhal diz padroeira: la patrona. Imagino sempre a Nossa Senhora Patroa, com o pano da cozinha e a bata a mandar o Menino Jesus meter a mesa e a gritar para o lado da oficina de S. José para ele vir almoçar antes que arrefeça.

Mas a viagem não fica por aqui, porque se estamos a iniciar a semana dedicada à nossa Padroeira, em que a invocamos como protetora e intercessora... a minha cabeça viajou para o Harry Potter e o famoso, entre fãs claro, expecto patronum, feitiço de protecção que invoca uma figura poderosa, única para cada feiticeiro.

Aposto que a J. K. Rowling se inspirou enquanto esteve entre nós.  Até porque, por cá, também usamos varinhas mágicas, industriais para as cenouras das filhóses!

E confiamo-nos à vossa protecção Santa Mãe de Deus...

Está profundamente enraizada esta tradição de invocar os Santos, a sua protecção, a sua intercessão junto de Deus, mas também o seu exemplo. E por isso queremos honrar a Nossa Mãe do Céu.

 

Ao contrário do que muitos pensam, celebrar o padroeiro não é exaltá-lo acima de Deus. Pelo contrário, é exaltar a fonte de sua santidade que é Deus, reconhecendo que toda a sua vida é modelo para melhor servir a Deus.

Sendo assim, celebrar o padroeiro é enaltecer a graça de Deus que age em nós e tudo faz para nos conduzir a Ele.

Dessa maneira, ao celebrarmos a festa de um padroeiro adentramos em uma escola e itinerário de santidade. Temos ainda, a oportunidade de, através dos méritos de sua vida, receber de Deus a graça necessária para também buscar a santidade.

Dessa forma, recebemos dos nossos padroeiros graças especiais ao reconhecermos neles o poder e a graça divina.

“Eles não cessam de interceder a nosso favor, diante do Pai, apresentando os méritos que na terra alcançaram, graças ao Mediador único entre Deus e os homens, Jesus Cristo […]. A nossa fraqueza é assim grandemente ajudada pela sua solicitude fraterna” (Cf. CIC, Parágrafo 956)[1].

 

É verdade que estes festejos têm um carácter mais rural, que urbano, o que pode trazer alguns desafios de criatividade extra, mas aquilo que procuram é comum a todos e não está preso a modelos.

É uma oportunidade de encontro, de criar laços, fortalecer a comunidade que se ampara, que se conhece e que cresce na fé, lado a lado. É absolutamente incrível ver a quantidade de gente que se une para ajudar e sim, nem sempre é gente de Igreja, mas há algo que os move, pode ser só a dimensão associativa? Talvez... pode ser uma oportunidade de aproximação? Pode...

Para isso é importante que tenhamos as prioridades bem definidas: é, antes de qualquer outra coisa, uma festa religiosa, espiritual, para honrar a padroeira Deus nosso Senhor.

Em todas as suas dimensões. Quem frita uma filhós, fá-lo por amor, como oração agradável ao Senhor (e a quem lhe ferrar o dente).

A inter-ajuda, voluntários, criativos, deve ser modelo para o resto do ano em que juntos nos tornamos paróquia missionária. Se somos capazes de armar um arraial que se ouve em Pataias, meus amigos, somos capazes de tudo.

 

Abrimos o mês de Outubro com a festa da Senhora do Rosário, continuamos com o mês do rosário, haveremos de encontrar tempo para o rezar. E aqui, uma vez mais o modelo, nas contas que puxamos, como criança que puxa a bainha do vestido materno, contemplamos os mistérios da vida de Nosso Senhor Jesus Cristo. havemos de nos sentir amados, chamados à missão.

E por isso celebramos, festejamos, porque fomos salvos, porque não andamos à deriva, caminhamos rumo ao Céu, escondidos debaixo do manto de Maria (inspiração óbvia para o manto da invisibilidade do Harry Potter).

Pe. Patrício Oliveira

[1] https://www.editoraredentorista.com.br/por-que-se-celebra-a-festa-do-padroeiro/

Patrício Oliveira

Padre desde 2011, ao serviço da Paróquia da Marinha desde como Pároco desde 2019.

Próximo
Próximo

O ter e o Ser