Isto não é um exercício: vós sois a Luz do mundo

Isto é que vai aqui uma semana daquelas. Daquelas de que se dirá: “antigamente, no meu tempo!”, porque os mais velhos também não se lembram de coisa assim.

Estamos todos meio/muito assustados e agora vem lá a Marta e não parece ser a menina dos seguros para vir tratar das apólices.

Temos visto muitas coisas e honestamente, a ver a quantidade de gente que não sabe circular na estrada sem semáforos, isto ainda pode bem piorar.

Vi várias reflexões acerca de onde para Deus, ou onde está. Pergunta se incrédulo. Deus está onde está sempre.

Mas tem-se feito presente de forma significativa. Ah e tal sr. padre e porque não evitou? E alguém quer alguma coisa com um deus que fosse intervencionista a manipular a nossa vontade e a história como um jogo de tabuleiro?

Talvez um que nos impedisse de pecarmos ou de estragar o planeta e o ambiente. Seria o mesmo que nos impediria aqueles pensamentos tenebrosos e os gestos e as palavras mal-ditas, mas que saíram. Também me quis parecer que não queríamos disso.

Este fim de semana coincide irmos ouvir vós sois a luz do Mundo.

O próprio Jesus disse ser a Luz, mas envia-nos a nós Igreja, os comprometidos, a ser essa luz no mundo.

E depois de dias às escuras, alguns ainda, mas só vão ler isto depois, é quase irónico ouvir disto.

Antes de molhado o mundo já andava meio apagadito, não?

Meio virado do avesso, perturbado e assustador.

E se é verdade que por estes dias muito nos entristece e preocupa, porque a humanidade revela o seu pior, também revela o melhor. Roubar geradores é que era evitado vá.

Esta onde solidária, de voluntários, de gente que se oferece, que se dá, que se preocupa, gente que se importa, enche o coração. O fundo da Cáritas ultrapassou um milhão de euros, dizia uma notícia desta tarde, com doações que vão de um euro a quarenta mil de uma vez.

Cada um dá como e o que pode. E o mundo parece mais quente, menos molhado, menos ventoso e mais iluminado.

Não é de agora que o convite faz sentido, nem é de agora que precisamos de gente que arregace as mangas.

Sonho com uma igreja de mangas arregaçadas por natureza, a tempo inteiro, não só na tragédia e no Natal.

É essa Igreja que nos ampara, que não permite que fique alguém para trás, nem sozinho.

Estes tempos de maior tribulação colocam tudo à prova. Ser gente de Fé em dias de sol é fácil, quando a oração que brota é sempre um fácil obrigado Senhor pelas maravilhas.

Quando é o desespero que domina o coração, a incerteza, o silencio que parece roubar as palavras, então aí tudo muda. Aí sim a Fé mostra a força e a diferença. Já não é treino ou exercício, é mesmo a sério.

Que os nossos corações permaneçam unidos a Ele, atentos ao conforto, mas sobretudo atentos à Palavra que envia: Sois luz do mundo.

E o mundo bem precisa!

Patrício Oliveira

Padre desde 2011, ao serviço da Paróquia da Marinha desde como Pároco desde 2019.

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