O Sting foi burlado

Vi esta semana uma história já pouco recente a propósito do Sting[1] ter sido enganado. Aparentemente numa visita à Toscana deslumbrado com o vinho que lhe deram, acabou por fazer uma compra por impulso: comprou a propriedade. E quem nunca? Ainda ontem fui à Americana comprar papel e já está na rua, forte por não ter comprado mais nada, mas depois percebi que podia poupar tempo e deixar lá no posto do CTT as cartas que tinha de enviar, e claro, sai com duas minifiguras Lego. Cada um compra na proporção da carteira e dos rendimentos que tem!

O Sting diz que só depois da compra percebeu que o vinho que lhe deram era da concorrência. 

O filho do conde que vendeu contra outra história, e diz que o Sting é que não percebe nada daquilo. O que é bem provável, mas o que importa é a história seguinte. 

Que se tornou numa história de recuperação e transformação. A vinha foi refeita, investimentos foram feitos, a pinga agora é boa, e os fãs já podem ir gastar uma pipa de massa para pernoitar chez Sting. 

Isto veio a propósito das leituras de quinta, em que Jesus, continuando a falar em parábolas, diz que “A glória de meu Pai é que deis muito fruto. Então vos tornareis meus discípulos” Jo 15, 8

Só me ocorria que talvez o próprio Deus Pai se sinta enganado, depois de tanto trabalho a preparar a vinha, podar, curar, e etc. e tal, e depois vai a ver e a pinga que a gente lhe dá está abaixo do tinto carrascão. 

Esta semana fala-se de um campo, de um tesouro, de uma pérola, tão preciosos que vale a pena vender TUDO para não perder aquela oportunidade. Penso que a parábola seja autobiográfica: Deus também deu tudo para ficar connosco. 

A história do Sting recorda a paciência e a misericórdia de Deus para connosco. Quer fruto e tem paciência e compaixão e amor para esperar, cuidar que esse fruto venha e se torne vinho de festa, de ação de graças, vinho de eucharistía[2] (viram o que eu fiz aqui?).

Não se trata de ter uma vinha bonita, frondosa, vistosa, trata-se de fazer que o fruto seja de qualidade, saboroso, doce no paladar, forte no grau do vinho em que se transforma depois de cuidado, colhido, esmagado, prensado e fermentado. 

Não nos pedem para sermos bonitos, mas que demos fruto e fruto em abundância.

Seja a nível pessoal, seja a comunidade paroquial, serviço, movimento, diocese ou Igreja Universal.

Vinha bela é a que produz bom vinho. Vinho de eucharistía. Por esse vale a pena vender tudo.

 

Pe. Patrício Oliveira



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[1] Sting (nome artístico de Gordon Matthew Thomas Sumner), nascido a 2 de outubro de 1951, é um dos mais aclamados cantores, compositores e músicos britânicos da história. Com mais de 100 milhões de álbuns vendidos e 17 prémios GRAMMY, destacou-se inicialmente como líder da icónica banda The Police e consolidou um percurso a solo repleto de êxitos intemporais. Na infância chegou a ser acólito, agora é mais espiritual e agnóstico.

[2] A palavra Eucaristia tem origem no termo grego eucharistía, que significa literalmente "ação de graças" ou "agradecimento". O vocábulo é formado pela junção do prefixo eu- (que significa "bem", "bom") e de um derivado de cháris (que significa "graça" ou "favor")

Patrício Oliveira

Padre desde 2011, ao serviço da Paróquia da Marinha desde como Pároco desde 2019.

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