Faltar à Missa ainda é pecado grave ?
A participação na missa dominical está em declínio acentuado.
Nas últimas décadas e particularmente nos últimos anos, salta à vista que se perdeu uma parte significativa dos fiéis que frequentam regularmente a Eucaristia dominical e a tendência parece continuar negativa, sobretudo entre os mais novos.
Faltar à missa ainda é pecado grave?
Ter fé, rezar e procurar viver como uma pessoa honesta, justa, correta e o mais íntegra possível não é aquilo que agrada a Deus?
Ir à Missa todos os domingos só para não cometer um pecado (grave?!) será um comportamento que Deus valoriza?
Para Deus não é mais importante que cada um de nós se preocupe com coisas sinceras e autênticas, mais do que com formalidades? Uma pessoa não pode ser católica, ter muita fé em Deus, acreditar em JESUS, sem ir à igreja?
Não basta ir à missa no Natal, na Páscoa, num funeral e numa ou outra situação particular? Não é suficiente ir à missa, ao Santuário, a uma igreja, quando se sente necessidade?
Além disso: o preceito de ir à missa ao domingo é para todos? Também para os adolescentes? Não é verdade que os pais, sobretudo de crianças pequenas e adolescentes, depois de uma semana de trabalho, tantas vezes árdua, se sentem extenuados e precisam do domingo para dormir até mais tarde e se recomporem?
Não é legítimo que, pelo menos ao domingo, a família tenha o desejo de estar junta, precisamente porque é difícil nos outros dias?
Não haverá situações em que é permitido faltar à Missa (talvez compensando-a noutro momento da semana)?
E não pode haver situações em que ir à Missa num domingo é que é pecado grave?
Muitas e muito difusas questões que ocupam o espírito de algumas pessoas e a que procuraremos responder.
Muitos defendem que não é preciso ir à Missa, porque o que verdadeiramente agrada a Deus é ter fé, ser honesto e correto. Efetivamente, ter fé, rezar e ser uma pessoa íntegra são realidades que a Sagrada Escritura exalta como essenciais na vida do crente, bem acima de meros rituais e formalidades.
E, ainda assim, como bem dizia o Papa Francisco, “nas nossas sociedades secularizadas perdemos o sentido cristão do domingo iluminado pela Eucaristia. Isto é pecado! Em tais contextos é preciso reavivar esta consciência, para recuperar o significado da festa, o significado da alegria, da comunidade paroquial, da solidariedade e do descanso que revigora a alma e o corpo” (13dez17).
Recuperar o domingo como o dia de repouso, da alegria e da abstenção de trabalho, dedicá-lo à família e à espiritualidade ajuda-nos a viver como filhos e não como escravos. Até porque, mesmo que alguém, em sua casa, se recolha em silêncio e em comunhão profunda com o Senhor, nunca poderá fazer aquilo que faz na missa dominical, porque, na Missa, o Senhor torna-se “verdadeiramente” presente, fala-nos pela Sua palavra e é oferecido o Seu sacrifício para a redenção do mundo!
A Missa gera um efeito de valor único no que à adoração e ao amor oferecidos a Deus dizem respeito. Por conta própria o que é que podemos fazer? O nosso amor é sempre limitado e imperfeito, tal como a nossa adoração.
Na Missa, porém, a situação é completamente diferente.
Não estamos sozinhos: juntos adoramos e amamos a Deus, com Cristo, que está verdadeiramente presente quando nos reunimos em Seu nome e afirmamos: “Por Cristo, com Cristo e em Cristo, a Vós, Deus, Pai todo-poderoso, na unidade do Espírito Santo, toda a honra e toda a glória, pelos séculos dos séculos. Ámen”.
Pe. Adelino Guarda
(continua)